Depois de comandar alguns dos piores filmes da Blumhouse – ‘Verdade ou Desafio‘, ‘A Ilha da Fantasia‘ e ‘Imaginário – Brinquedo Diabólico‘ –, o diretor Jeff Wadlow retorna ao gênero em seu primeiro projeto original no Prime Video. Com rostos conhecidos e uma premissa familiar, o cineasta tenta trazer sua visão para um subgênero que nunca está muito longe da superfície e das telas: tubarões assassinos.
Na trama, cinco amigos exploram as cavernas da Boca do Diabo, na Tailândia, para uma última aventura antes de começar a vida real. Mas logo descobrem que há algo mortal à espreita embaixo d’água.… veloz, silencioso e letal. Na escuridão sufocante, a confiança se desfaz, o pânico se espalha e cada passo errado se torna uma luta pela sobrevivência.

Se a ideia de tubarões atacando em cavernas subaquáticas parece familiar, vocês não estão enganados. ‘Medo Profundo: O Segundo Ataque‘ chegou primeiro e fez uso muito melhor deste conceito. ‘A Boca do Diabo‘ não oferece nem a diversão descompromissada de um filme de tubarão assassino, nem o suspense inquietante que se pode esperar de uma produção ambientada em um espaço tão claustrofóbico.
O filme se leva a sério demais para divertir, e o roteiro pouco imaginativo falha em construir sequências memoráveis. O resultado é um filme visualmente escuro, feio e repetitivo que se reinicia toda vez que uma nova morte inevitavelmente acontece. E, apesar dos efeitos de CGI do tubarão estarem acima da média na maior parte do tempo, as mortes limitadas pela baixa classificação etária ferem profundamente a produção.

A carismática Kathryn Newton (‘Abigail’) lidera o elenco como Sara, a óbvia protagonista que precisa encontrar sua força interior, confiar em si mesma e se mostrar à altura do desafio. A atriz faz o melhor com o material que lhe foi dado, ainda que a evolução de sua personagem demore demais para acontecer. Lana Condor também se destaca na pele de sua melhor amiga, a narcisista Max. A dinâmica tóxica entre as duas é o único fio narrativo que move os personagens (além do tubarão), mas o conflito não é explosivo o suficiente para causar uma rachadura real na dinâmica entre os sobreviventes.
‘A Boca do Diabo‘ tinha todos os componentes para servir como diversão passageira, mas a direção pouco inspirada de Wadlow falha em atingir o potencial máximo de uma história simples. Em um mar de produções melhores e recentes deste subgênero – como ‘Animais Perigosos‘ e ‘Sob as Águas do Sena‘ –, este filme está fadado a se afogar no esquecimento.
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