Como já mencionei em outros textos, o Festival do Rio tem uma programação que permite, em algumas sessões da Première Brasil, acompanharmos um curta-metragem seguido de um longa-metragem na mesma sessão – uma iniciativa fantástica que outros festivais poderiam adotar. Ansioso pra conferir London, um dos mais badalados filmes da seleção do evento carioca, me deparei com um curta-metragem que chamou minha atenção, nos levando até a década de 1940 e ao futebol feminino: A Casa de Dona Carlota.

Em 15 minutos, o projeto dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer, que também atua no filme, nos convida para conhecer uma situação ocorrida em meados da década de 1940, em pilares, no subúrbio carioca. Nesse período, um time de futebol feminino lutava contra o preconceito conforme vai realizando feitos esquecidos pela história, sob a liderança de Carlota Alves de Resende, mais conhecida como Dona Carlota, uma empresária, treinadora e fundadora do Primavera A.C.
Se hoje em dia o futebol feminino ainda é tratado como chacota por alguns, fruto do machismo e preconceito em relação a um esporte que deveria ser para todos, imagina naqueles tempos! O fato é que o sucesso do time comandado por Dona Carlota gerou uma onda de críticas preconceituosas, culminando em sua prisão e na proibição do futebol feminino durante a ditadura de Getúlio Vargas.

O filme retrata de forma bem objetiva todo esse contexto, mostrando a reprodução de reportagens da época, inseridas na ficção. Também, a importância da casa onde era sede do clube como um lugar de refúgio para as meninas que faziam parte da equipe, além de apresentar o papel fundamental da empresária como uma das pioneiras no esporte.
A obra vai nos levando a reflexões que chegam até os dias atuais, às vésperas de o nosso país sediar a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Ao final da sessão, o público ainda recebeu um lindo pôster foi por artistas, sugerindo que o assunto continue reverberando muito além do que foi mostrado na obra. A arte, em suas diversas formas, tem o poder de nos fazer pensar e lembrar de quem sempre esteve lutando por direitos para todos.


