Os Melhores Álbuns Dance do Século (Até Agora)

Se pararmos para pensar, o conceito de música dance é secular e está atrelado à ideia da própria dança – o que abrange o estilo de maneira quase impalpável. Afinal, desde os minuetos da era da música clássica até os ballrooms do Velho Oeste e do cenário queer de Nova York, são várias as produções que podem se enquadrar nesse escopo.

A partir dos anos 1970, o dance começou a se tornar mais popular com o público, em virtude da popularidade das discotecas e de emblemáticos artistas como Gloria Gaynor, Roberta Kelly, Giorgio Moroder tomando conta das pistas com hits implacáveis e que estendem seu legado até os dias de hoje. A partir de então, a mistura com as incursões eletrônicas que começavam a chegar da Europa para a América do Norte transformaram o estilo em um subgênero conhecido como EDM (electronic dance music), que passou por uma ressurgência no início dos anos 2000 e, hoje, é um dos pináculos criativos do circuito mainstream.

Inúmeros nomes se apropriaram das pulsões da música dance, como é o caso da rainha do pop Madonna, que se sagrou uma das grandes representantes do gênero em diversos trabalhos, incluindo a duologia Confessions on a Dance Floor e Confessions II; a icônica Beyoncé, que nos presenteou com um dos melhores álbuns do século com o premiado e aclamado Renaissance; e a titânica Lady Gaga, que foi responsável por trazer o estilo de volta em 2008 com o lendário The Fame.

Pensando nisso, preparamos uma breve lista elencando os dez melhores álbuns dance do século XXI (até agora).

Confira abaixo as nossas escolhas e conte para nós qual o seu favorito:

10. TURN OFF THE LIGHT, Kim Petras (2019)

Kim Petras é um dos nomes mais interessantes da nova geração de musicistas e já entregou alguns dos melhores álbuns da década passada – incluindo a antologia de terror pop TURN OFF THE LIGHT. A compilação, dividida em duas partes, foi lançada como um álbum único no ano passado e trouxe referências de clássicos como ‘Halloween’‘Dia dos Namorados Macabro’ para construir uma narrativa arrepiante e movida a incursões do avant-pop, do pop industrial e do dark dance.

9. THE FAME, Lady Gaga (2008)

Lady Gaga não tem produções ruins. Desde seu début há mais de uma década, a performer mostrou que veio para ficar – e colocou The Fame no topo de todas as paradas e de inúmeras listas de melhores álbuns do século. As letras voltam-se para a busca da ambição e para a conquista dos sonhos, servindo de base para uma coleção inestimável de gemas da música dance, incluindo “Poker Face”, “Paparazzi”, “Just Dance” e “LoveGame”. Não é surpresa que o sucesso e o aclame do disco tenha rendido duas estatuetas do Grammy à artista.

8. CONFESSIONS ON A DANCE FLOOR, Madonna (2005)

Confessions on a Dance Floor é, sem sombra de dúvida, um dos álbuns mais influentes do século e responsável por trazer o EDM e o dance de volta ao mainstream – além de ter servido de base para diversas artistas que exploraram os gêneros nos anos seguintes, incluindo Lady Gaga, Britney Spears e Beyoncé. Facilmente uma das “bíblias do pop”, o décimo álbum de estúdio de Madonna envelheceu como uma boa garrafa de vinho, eternizado por hits como “Hung Up” e “Sorry”, e dando origem a uma sequência espiritual que foi lançada este ano.

7. BLACKOUT, Britney Spears (2007)

Britney Spears mantém seu legado intacto no mundo da música, por mais que tenha se afastado de vez dos holofotes – e, em meio a uma carreira respeitável, ela entregou uma das obras-primas dos anos 2000 com Blackout. O álbum funciona em sua completude de diversos modos: a visão mercadológica e comercial está ali, dialogando com sua repaginação modernizada e refrescante a um pop prestes a mergulhar na era digital. Ao mesmo tempo, há também um experimentalismo claro, partindo do hibridismo de inúmeros estilos que casam e criam uma harmonia quase perfeita.

6. WHAT’S YOUR PLEASURE, Jessie Ware (2020)

Jessie Ware fez um estrondoso e aplaudível retorno para o mundo da música em 2020 com o lançamento de ‘What’s Your Pleasure’, seu quarto álbum de estúdio. Sua arquitetura requintada e a ressonância que criou com o hi-NRG e com o post-disco transformaram o que poderia ser uma produção qualquer em um escapismo de alta qualidade, pincelado com as conhecidas incursões semi-melancólicas e uma narcótica jornada arranjada com perfeição ao longo de doze faixas mergulhadas no melhor do disco e do dance.

5. FEVER, Kylie Minogue (2001)

Fever continua tão original quanto quando estreou: ao longo de breves doze faixas, Kylie Minogue demonstrou um apreço pelo minimalismo estético e pela coesão sonora, marcado pelas batidas envolventes e eletrônicas que refletiam sua entrada no “mundo moderno” e no novo milênio – fazendo um barulho considerável que estendeu seus ramos para inúmeros discos futuros, influenciando nomes com Madonna, Britney Spears e Lady Gaga através de uma explosiva e vibrante construção artística.

4. BODY TALK, Robyn (2010)

Em seu sétimo álbum de estúdio, a artista sueca Robyn continuou a ser adorada internacionalmente. Body Talk foi aclamado pela crítica internacional, apesar de ter sido esnobado nas principais premiações musicais. Através de quinze faixas originais compostas em menos de seis meses, a compositora se transformou em uma das vozes da atualidade, entregando para o mundo impecáveis tracks como “Call Your Girlfriend” e “Dancing On My Own”.

3. CONFESSIONS II, Madonna (2026)

Em 2005, Madonna lançou um dos álbuns mais importantes da música pop, Confessions on a Dance Floor. 21 anos mais tarde, ela retornou com uma “continuação espiritual” mais amadurecida e que imediatamente se tornou uma das principais entradas de sua carreira – ainda mais pelo caráter testamentário que acompanha esse glorioso álbum. Mergulhando em uma amálgama de gêneros que deu vida a “Danceteria”, “Bizarre” e “Read My Lips”, Madonna fez um espetacular retorno com um de seus trabalhos mais bem estruturados até hoje.

2. BORN THIS WAY, Lady Gaga (2011)

Born This Way se tornou um dos carros-chefes da carreira de Lady Gaga, principalmente pelas mensagens de aceitação que o transformaram em um dos arautos da comunidade LGBTQIA+. Porém, mais do que isso, o compilado de originais é uma vibrante e irrefreável celebração do dance em toda a sua conjuntura – pincelado com irrupções do techno, da música eletrônica e do synth-pop, como podemos ver na faixa-título, em “Scheiße”, em “The Edge of Glory” e tantas outras canções que o compõe.

1. RENAISSANCE, Beyoncé (2022)

Anos depois de ter nos presenteado com o imaculado ‘Lemonade’, Beyoncé fez um glorioso retorno ao mundo da música com o irretocável Renaissance – primeiro capítulo de uma trilogia ainda em andamento que promove uma jornada de resgate das raízes afro-americanas na esfera fonográfica. Através de dezesseis faixas que funcionam como um setlist, nossa Queen B explora o dance, o house, o techno e o disco de maneira grandiosa e que lhe rendeu um enorme reconhecimento de lendas da indústria.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.