Crítica | ‘A Fabulosa Máquina do Tempo’ – Um maravilhoso encontro entre o lúdico e o real

CríticasCrítica | ‘A Fabulosa Máquina do Tempo’ – Um maravilhoso encontro entre o lúdico e o real

Trazendo o sonhar acoplado ao infinito de possibilidades que a linguagem cinematográfica oferece, o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo é um projeto inventivo em que o lúdico e o concreto do real se chocam, revelando histórias através do olhar de jovens de uma cidade do interior do Brasil.

Dirigido por Eliza Capai, o longa-metragem teve sua première mundial no Festival de Berlim deste ano e, aqui no Brasil, ganhou suas primeiras exibições no principal evento dedicado a documentários, o Festival É Tudo Verdade.

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Foto: Carol Quintanilha
Foto: Carol Quintanilha

Nesta obra, onde a fantasia encontra a realidade, somos convidados a conhecer o entendimento do mundo pelo olhar de algumas crianças e adolescentes da cidade de Guaribas, no Piauí. A religião, os medos, as brincadeiras e os momentos difíceis se tornam elementos de reflexão sobre questões sociais que se expandem para um reflexo bem mais amplo do que apenas das experiências que passaram as personagens desse local.

Foto: Carol Quintanilha
Foto: Carol Quintanilha

A dinâmica se mostra interessante desde seu início: retrata os sonhos e as memórias de um passado recente de forma divertida, mas que, pelas entrelinhas, dizem muito mais do que se imagina. Essa brincadeira, que expõe muitas questões sobre o eu atual e o que projetamos para o futuro, vai de encontro à filosofia da existência, batendo na tecla de que nunca estamos completamente prontos para o que vem – estamos em constante construção, em curso e onde nada é definitivo.

A importância do sonhar logo vira uma espécie de poesia do viver, com perguntas existenciais circulando a narrativa de forma direta, nos levando de maneira criativa até a metalinguagem e uma série de depoimentos – em sua maioria descontraídos – que, aos poucos, vão se tornando marcantes e deixam pelo caminho importantes reflexões.

Foto: Eliza Capai
Foto: Eliza Capai

Quem eu sou e quem eu quero ser. A partir dessa expressão, que dialoga com a construção da identidade – algo que, em um primeiro momento, parece um quebra-cabeça difícil de montar -, aqui se torna simples, objetivo e muito criativo, nos conduzindo pelos nossos próprios pensamentos, transformando A Fabulosa Máquina do Tempo em uma experiência profunda e inesquecível. Um filme que dificilmente esqueceremos.

 

 

Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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