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Crítica | A Família Noel – Netflix abre sua temporada com filme natalino mal-humorado


Novembro marca oficialmente a abertura da temporada natalina no comércio, no entretenimento e nos lares das pessoas, afinal, faltam cinquenta e cinco dias para o Natal! Não à toa, no dia de hoje a plataforma da Netflix lança seu primeiro filme para abrir a temporada de 2021: a produção belga ‘A Família Noel’, que chega hoje para os assinantes.

Suzanne (Bracha van Doesburgh) é mãe de Noor (Amber Metdepenningen) e Jules (Mo Bakker) e, após a trágica morte de seu marido no ano anterior, ela decide se mudar com seus filhos para a Bélgica – até porque prometera ao marido cuidar do pai dele, Noel Claus (Jan Decleir). Às vésperas do Natal e já na nova casa, Suzanne tem que dar conta do novo emprego na fábrica de biscoitos, de manter a ilusão da filha sobre a magia do Natal e cuidar do mal humor do filho mais velho, que anda super irritado desde a morte do pai. Quando Noel Claus sofre um acidente e prova que não pode mais ficar sozinho, Suzanne irá pedir que Jules cuide do avô, e, com ele o jovem irá questionar o verdadeiro significado do Natal.



Em cerca de uma hora e meia de duração, ‘A Família Noel’ consegue enrolar tanto, mas tanto a história, que cansa. Para se ter uma ideia, os primeiros trinta minutos do filme de Matthias Temmermans não vai para lugar nenhum, rodando em círculos na história enfadonha do protagonista mirim que sente raiva por nenhum motivo e literalmente sai de cena batendo o pé o tempo todo. Quer dizer, tudo bem que o pai dele falecera no Natal anterior, mas as explosões repentinas do garoto só porque a irmã ainda quer celebrar a festa de fim de ano realmente faz a gente revirar os olhos. A repetição de frases como “eu odeio o Natal” toda vez que o menino é contrariado e, inclusive, na frente do Papai Noel e seus ajudantes, realmente não ajudam a fazer a gente continuar a assistir ao longa.

Escrito por Ruben Vandenborre, Elke de Gezelle e Matthias Temmermans, ‘A Família Noel’ tenta emparelhar duas histórias simultaneamente – a descoberta do protagonista sobre como ele tem uma verdadeira ligação com o Natal e a dificuldade da mãe em se manter no emprego, uma vez que tem que sair a toda hora por conta dos filhos e, ao mesmo tempo, tentar salvar a própria fábrica em que trabalha – acaba abrindo demais o leque e divergindo a história para subtramas menos importante, deixando a magia do Natal, que é o que realmente conquista o espectador, adormecido.

Considerando que é o abre-alas da temporada natalina da Netflix, ‘A Família Noel’ entedia com seu humor esquisito e sua história sem graça. Vale para observar como outros países – Bélgica, Holanda – celebram a data de maneira ligeiramente diferente de nós, e vale também por ver uma produção natalina falada em alemão, para variar um pouco. Porém, ‘A Família Noel’ não desperta o espírito natalino, e, enquanto filme-família, irá aborrecer a garotada e também os adultos. Porém, já há uma continuação encaminhada, então, aguardemos…

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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