Os filmes de ação dos anos 1980 e 1990 tinham uma coisa em comum: muitos deles eram bem ruins, mas a gente continuava assistindo porque a pancadaria era boa. A história realmente não importava, desde que as cenas de luta e de ação fossem bem convincentes. Esse gênero lançou ao estrelato muitos atores, como o Mel Gibson, que se consagrou com ‘Máquina Mortífera’ e, depois de ter envergado para a comédia e para a direção de outros filmes, está de volta agora à ação com ‘A Força da Natureza’, lançamento da semana na Netflix.

Cardillo (Emile Hirsch, que é a cara do Jack Black mais jovem) é um policial patrulheiro que, no passado, cometeu um erro e acabou matando alguém por acidente. Um ano depois, Cardillo continua na corporação, mas não faz mais trabalho de campo. No mesmo dia em que um furacão atinge a Porto Rico, ele é designado para resgatar pessoas que não querem sair de suas casas e irem para os abrigos anti-tornados, e, para isso, vai contar com a ajuda da novata Peña (Stephanie Cayo). Quando chegam a um prédio onde está o velho Ray (Mel Gibson), que se recusa a sair, uma gangue de bandidos invade o local. Agora, todos estão presos no prédio até que o furacão passe.



O início da história em ‘A Força da Natureza’ parece ter sido construída à medida em que foi sendo preciso justificar as atitudes dos personagens. Por exemplo, o tal trauma do passado do protagonista Cardillo nem é exatamente mostrado no filme, só serve para… nada. E ainda contribui para construir um protagonista entediado com a vida, e isso acaba refletindo em nossa percepção da história. Outro exemplo, ainda no início, é quando Cardillo e Peña são chamados a uma ocorrência num mercado, onde um homem preto (William Catlett) estava sendo acusado de comprar toda a carne do açougue às vésperas do furacão. Tudo bem que é a partir desse personagem que os policiais entram no tal prédio, mas, para quê essa cena de racismo gratuita? Dava para Cory M. Miller fazer esse roteiro de outra forma.

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Então a gente é conduzido a pensar que assim que Mel Gibson entrar no jogo a coisa vai melhorar, mas não. O veterano interpreta um policial aposentado rabugento com síndrome de grandeza, que, machista, não aceita os conselhos da própria filha. Daí você pensa que pelo menos as cenas de ação vão compensar, mas Michael Polish dirige um filme cheio de pudores, sem sangue, sem hematomas. Os bandidos atiram tão bem como os Stormtroopers e o tal furacão não influencia em nada na história, pois mesmo o confinamento poderia ocorrer pelo simples fato de estarem numa situação de perseguição gato e rato.

A Força da Natureza’ é ruim, mas a gente acaba vendo porque de alguma forma fisga a gente, nem que seja pela crença de que ele vai melhorar. Não melhora, mas é o que temos de novidade em ação por hoje.



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