InícioCríticasCrítica | A Luta de Uma Vida – Ben Foster Impressiona Como...

Crítica | A Luta de Uma Vida – Ben Foster Impressiona Como Boxeador em Filme SURPREENDENTE


Quase cem anos após o início da Segunda Guerra Mundial, e nós ainda não paramos de nos surpreender com as variadas histórias que o cinema traz para a gente desse período – a maioria das quais, permeada de histórias dramáticas, sofrimento e muita, mas muito esforço para sobreviver. Porque mesmo hoje, seja verdade ou ficção, ainda não temos um total panorama de tudo de terrível que aconteceu aos milhares de judeus perseguidos, torturados e mortos durante esse período. Dentro desse universo, estreou esse final de semana nas salas de cinema do país o longa dramático ‘A Luta de Uma Vida’.

O ano é 1949, em Nova York. Há pouco tempo foi declarado o fim da guerra mundial, e os sobreviventes e seus familiares procuraram migrar para outros países mais amigáveis aos judeus, especialmente os Estados Unidos. É para lá que Harry Haft (Ben Foster) migrou, e hoje vive como boxeador, em busca de lutas cada vez maiores com um único objetivo: se tornar famoso o suficiente nos jornais de modo a conseguir chamar a atenção de Leah (Dar Zuzovsky), o grande amor da sua vida, de quem se separou ainda quando estavam na Europa e teve início a perseguição e a quem tem certeza ainda estar viva. Só que o preço de sobreviver no campo de concentração como boxeador oficial do agente da SS Kuttner (Michael Epp) cobra seu preço diariamente, com pesadelos recorrentes e lapsos de memória que remetem Harry de volta àquela realidade sombria e o desconectam do tempo presente.



Em pouco mais de duas horas de duração o espectador irá encontrar uma história bem construída, feita em recortes constantes de flashback. O roteiro de Justine Juel Gillmer baseado no livro de Alan Scott Haft, filho real do protagonista, faz jus à memória do personagem cuja história é tão incrível quanto surreal. Ao jogar luz sobre a vida de um judeu que literalmente teve que lutar para sobreviver, o longa demonstra o tamanho do sadismo dos soldados alemães.

É realmente impressionante a dedicação de Ben Foster ao papel, tendo perdido quase trinta quilos para representar Harry no passado, no campo de concentração, e depois ganhou cerca de vinte e cinco quilos para representar o personagem no tempo presente dramatúrgico. Além disso, também é visível a dedicação do ator em aprender (e convencer) nas muitas cenas de luta, especialmente considerando ser um personagem com diversas questões de saúde mental; e também na construção deste Harry enigmático, em um misto de sotaque de Robert De Niro em ‘Taxi Driver’ e com o jeitão bruto de Al Pacino/Michael Corleone em ‘O Poderoso Chefão’.

O filme de Barry Levinson é uma história de amor que também se transforma em história de luta, inclinando-se um pouco mais para o primeiro gênero. O longa conta ainda com a participação especial de John Leguizano como o treinador de boxe do protagonista e de Danny DeVito, como treinador de boxe do oponente. Com um elenco de renome, uma história baseada em fatos reais e um ator principal dedicado, ‘A Luta de Uma Vida’ é um filme surpreendente.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS