Há obras cinematográficas que realmente causam grande impacto quando as assistimos. A Pele do Ouro, é uma delas. Navegando pela angústia de algumas memórias e causando uma comoção profunda, somos surpreendidos por um documentário dilacerante que expõe as marcas da violência contra a mulher.
Selecionado para a Mostra de Curtas-Metragens do Festival Cinemato 2026 esse projeto, dirigido por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo, nos apresenta a história da imigrante venezuelana Patri, uma jovem que fugiu de sua terra natal e veio para o Brasil em busca de alguma chance. Aqui, encarou outras dificuldades, muitas vezes sentindo-se incapaz de enxergar a luz do fim do túnel que caminhava.
De forma sufocante, expondo-se por meio de lembranças de um diário não esquecido, dos tempos onde trabalhou no ambiente machista do garimpo, percorremos recortes de momentos-chave de sua vida: passando por sua terra natal, depois trabalhando pelas ruas vendendo seu corpo, em uma profissão que parecia uma escolha mas que apareceu em um momento sem opções.
O sofrer em silêncio, a aceitação e a interpretação do próprio corpo, num pequeno quarto quase abandonado, as palavras antes perdidas se transformam em um símbolo de resistência para uma fuga e imersão na solidão. São 14 minutos intensos de uma poesia triste, transformada em reflexões artísticas mergulhando profundamente na devastação emocional da protagonista.
A Pele do Ouro bate na tecla da violência, elemento dominante da narrativa, sem alívios para nós que assistimos. Dificilmente esqueceremos essa sobrevivente dilacerada pelo tempo e pelas memórias tristes, que busca o sentido para a sua vida atravessando o nebuloso da distância que a separa de um alguém disposto a lhe estender as mãos. Impactante filme.


