Quando o primeiro ‘A Queda’ surgiu nos cinemas, em 2022, o público, sedento por novidades que minimamente o tirasse do lugar comum das narrativas super-heróis, abraçou com bastante interesse a proposta de duas amigas que, num ato de imprudência juvenil, acabaram ficando presas em uma torre altíssima, numa situação da qual não conseguiam sair de jeito nenhum e em cujo drama do filme se baseou. Tendo conquistado um número satisfatório de público, pouco tempo depois começaram as conversas de uma sequência do enredo, que, quatro anos depois, chegou aos cinemas brasileiros sob o título ‘A Queda 2: No Limite’.

Desde que sua irmã, Shiloh (Virginia Gardner, de ‘Halloween’), falecera com sua melhor amiga no passado ao escalar uma torre de comunicação altíssima, a vida de Jax (Harriet Slater, da série ‘Pennyworth’) nunca mais foi a mesma, afinal, Shiloh era a mais corajosa e destemida, e Jax, medrosa. Quando decide vender e doar alguns itens que pertencia à sua irmã, Jax recebe a visita inesperada de Luce (Arsema Thomas, da minissérie ‘Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton’), que diz ter sido grande amiga de Shiloh. Luce começa a incentivar Jax a sair de casa e realizar o último sonho de Shiloh: ir para a Tailândia, escalar o Monte Kwan, onde há uma trilha feita por monges que leva ao topo e, dizem, espanta os medos das pessoas. Numa tentativa de honrar a memória da irmã, Jax decide embarcar nessa aventura com Luce, sem nem imaginar o tamanho dos muitos perigos que iria enfrentar no caminho.
Primeiramente, é de se imaginar que em ‘A Queda 2 – No Limite’, a história que motiva a aventura seja o de menos, afinal, são as cenas de tensão que vão entreter e levar o espectador aos cinemas. Mas, mesmo assim, é preciso não levar em tão baixa conta a intelectualidade do espectador nesses filmes de terror e de tensão, e, no caso de ‘A Queda 2: No Limite’, o roteiro dá uma leve abusada neste quesito.
Escrito por Jonathan Frank e Scott Mann, o início e o desenvolvimento do argumento (duas meninas que se jogam de cabeça rumo ao desconhecido, motivadas pela superação do luto e que no caminho têm suas vidas colocadas em risco por conta das escolhas feitas) são bastante satisfatórios, levando-se em conta que é preciso uma certa dose de burrice para se colocar na situação que o filme pede. Até aí, tudo certo, e a gente meio que conta com isso. O lance é no terço final do longa, em que situações surreais e ingênuas demais ocorrem, colocando todo o desenvolvimento dos personagens a perder, junto com a paciência do espectador.

Mesmo assim, ‘A Queda 2: No Limite’ é o tipo de filme que leva público pelo seu desenvolvimento (a situação de risco) e não pela história – e, neste quesito, o filme de Michael Spierig cumpre a expectativa com sequências que dão calafrios, vertigens e, em algumas ocasiões, fazem a gente fechar os olhos, virar o rosto ou roer as unhas. As tomadas aéreas que dão a dimensão abismal em que as protagonistas se encontram novamente são o grande forte do longa, misturando referências de games com filmes de terror contemporâneos que ajudam a corroborar o redemoinho sensorial proposto pelo filme.
‘A Queda 2: No Limite’ é um filme de dar nos nervos, em todos os sentidos, e desperta muitas emoções no espectador – aliás, todo tipo de emoção. Para quem curtiu o primeiro longa, os quase cem minutos desta sequência não só entretém, como também deixa o sabor de mais filmes por vir na franquia.


