Baseado em um artigo publicado no jornal El País, pela jornalista Beatriz Guillén, o novo longa-metragem da Netflix, Contra o Furacão, nos leva até anos atrás, quando um furacão atingiu em cheio a cidade de Acapulco, no México, espalhando destruição por todos os lados. Em meio a esse fenômeno da natureza, dois meio-irmãos ficam à deriva no mar, em busca de soluções para sobreviver.
Como muitas obras recentes buscam fazer, tudo começa com a apresentação objetiva de uma dinâmica familiar. Nela, conhecemos duas mães e seus respectivos filhos, que vivem em um terreno separado por duas casas, tendo como único elo um ex-marido de ambas e pai dos dois filhos, que morreu de forma trágica. Assim, conhecemos Wirpul (Benny Emmanuel) um jovem que busca agarrar uma oportunidade de se tornar o capitão de uma embarcação. Logo em sua primeira jornada no novo posto, ele enfrentará a força da natureza ao lado do meio-irmão, Candi (Kristyan Ferrer), além de lidar com o descaso de um patrão explorador.

Sem se aprofundar nas circunstâncias que envolvem os acontecimentos, como as inúmeras possibilidades de planos de emergência contra catástrofes do governo mexicano, a trama busca o foco no lado humano, se limitando a um desenvolvimento que atravessa embates de dois meio-irmãos que nunca se deram bem, tornando-se redundante em alguns momentos.
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Mergulhando drama adentro, o roteiro busca romper camadas através de um passado dolorido que se reflete nas relações presentes. Algo que funciona nos primeiros atos, mas que, ao longo dos conflitos, se mostra limitado, servindo apenas de uma introdução superficial para conduzir uma jornada do herói ilustrada por uma narrativa que liga a tensão à esperança.

Esse é um daqueles filmes em que torcemos pelo protagonista, principalmente quando nos deparamos com um inescrupuloso chefe sem coração, que personifica um mundo marcado por duros preconceitos e o descaso com o próximo. Essa fácil identificação com o público é um elo importante que se estabelece desde o primeiro momento.
Dirigido por Jorge Michel Grau, Contra o Furacão vale pelo importante registro inspirado em fatos reais, que mostra luzes no fim do túnel após um pesadelo, mesmo não conseguindo alcançar uma melhor coesão nos caminhos narrativos traçados.


