sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | A Última Ressaca do Ano





It´s the Most Wonderful Time of the Year

Ho ho ho, já é Natal. E no final de todo ano, e início das festividades do feriado, ganhamos as reprises de filmes com tal temática, vide Esqueceram de Mim (1990) e sua sequência. Nos cinemas, também somos agraciados com produtos dignamente natalinos, que é onde se encaixa este novo lançamento da Dreamworks, no Brasil lançado através da Paramount.

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Ao contrário das afetuosas obras natalinas, nas quais tramas familiares são apresentadas, quase sempre fazendo uso de teor agradável e correto para casar bem com o evento, A Última Ressaca do Ano, como diz o título, é um filme de natal diferente.

A trama apresenta o protagonista Josh, vivido por Jason Bateman, em mais um papel de personagem certinho, que serve de escada para o humor de figuras mais excêntricas que o rodeiam. Ele trabalha em uma empresa de tecnologia relacionada a informática, e estão para lançar um sinal de internet sem limites, provido de todo e qualquer aparelho eletrônico. No entanto, a empresa não vai bem das pernas e pode estar com os dias contados.

A sombra chega neste dia ensolarado através da personagem de Jennifer Aniston (em mais um papel inusitado para a ex-namoradinha da América – a cena no aeroporto com uma criança corre o risco de ser a melhor do filme), uma megera de carteirinha, daquelas que espantam os funcionários ao adentrarem o recinto. Ela é também a herdeira e CEO da empresa, irmã do personagem do comediante T. J. Miller (o Weasel de Deadpool), o dono e diretor da filial em que Bateman trabalha. Miller e Bateman mantêm um relacionamento fraternal, e o segundo reconhece os esforços do amigo para se tornar um chefe boa praça, do tipo que faz tudo para os funcionários se sentirem em casa.

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A mulher de negócios fria e calculista chega com um ultimato, a filial de Miller está no vermelho e necessita urgentemente fechar um negócio decisório com outra empresa, caso contrário uma demissão em massa de 40% dos funcionários ocorrerá, correndo o risco da filial inclusive fechar as portas. A famosa festa de fim de ano da empresa sequer deve ser cogitada, já que a ordem do dia é o corte extremo de despesas. Algo que ressoa muito próximo ao público brasileiro, vivenciando na pele a crise financeira instaurada no país.

Como último ato desesperado, depois de nada mais dar certo, Bateman, Miller e a personagem de Olivia Munn (a Psylocke de X-Men: Apocalypse), o gênio artístico da companhia, dona das ideias revolucionárias, decidem convidar o figurão com quem deveriam fechar acordo, papel de Courtney B. Vance, para a tal festança de fim de ano. Agora “the game is on” novamente, e a corrida para a festa mais alucinada do ano no cinema tem contagem regressiva.

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O mais interessante de A Última Ressaca do Ano é a forma como o roteiro trata o universo profissional dos funcionários de um escritório. A dinâmica confeccionada entre personagens, mesmo que a maioria estereotipados, cria certo elo com o público, por todos conheceremos tais pessoas satirizadas no longa. Temos, por exemplo, o nerd que mente sobre a namorada gostosa (papel de Karan Soni, o motorista de táxi Dopinder de Deadpool), a conservadora recatada e rígida (papel de Kate McKinnon, de Caça-Fantasmas), a mãe solteira (Vanessa Bayer), etc..

Mesmo que extremamente previsível, A Última Ressaca do Ano não é o desastre de trem esperado, com o resultado pairando acima de muito o que vimos no ano no terreno de comédias. O filme rende alguns bons momentos e referências interessantes. Talvez consiga inclusive funcionar melhor na estrutura do roteiro que diz respeito ao cerne da trama, do que nas gags e piadas em si. Não que o filme deixe de lado o humor, ou não acerte nada quando o assunto é comédia. Dirigido por Josh Gordon e Will Speck, dupla da detestável comédia romântica Coincidências do Amor (2010), também protagonizado por Jennifer Aniston e Jason Bateman, A Última Ressaca do Ano não rende um porre para esquecer e sim uma bebedeira de modesta celebração. Veja com moderação.

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