Crítica | A Vingança de Cinderella – Personagem toca o TERROR em Abordagem Sangrenta do Clássico

Já está se tornando algo bem comum para leitores e espectadores: de uns tempos para cá, personagens de histórias clássicas que permearam o universo imaginário das pessoas acabaram ganhando novas versões de suas narrativas – muitas das vezes, versões mais violentas, sangrentas ou mais adultas dessas histórias. Aconteceu com o Ursinho Pooh, com Peter Pan, com a Cinderella e agora, novamente, com mais uma história da princesa que perde o sapatinho de cristal, com o longa ‘A Vingança de Cinderella’, filme que chega a partir dessa semana ao circuito exibidor nacional.

Cinderella (Lauren Staerck) é uma jovem bonita, mas é maltratada por sua família desde que seu pai fora morto misteriosamente no passado. Sem poder falar nada, ela sofre nas mãos de suas duas irmãs, Josephine (Beatrice Fletcher) e Rachel (Megan Purvis) e da madrasta, Katherine (Stephanie Lodge), que fazer todo tipo de atrocidade com a pobre moça. Um dia, a madrasta chega em casa com uma grande novidade: o príncipe James (Darrell Griggs) vai dar um baile no castelo, em busca de uma jovem com quem se casar. Com a notícia, todas as mulheres solteiras ficam em polvorosa, e Katherine vê aí a oportunidade de encaminhar uma de suas filhas a uma vida de luxo e glamour. Ao mesmo tempo, Cinderella vê nessa festa a oportunidade de sonhar em viver uma vida de princesa nem que seja por uma noite, e pede com todas as suas forças ao universo para que seu sonho se realize. Sua Fada Madrinha (Natasha Henstridge) ouve o pedido e decide ajudar a jovem, mas, diante da realidade de Cinderella, sua Fada Madrinha oferece também uma irresistível oportunidade de realizar uma vingança contra aqueles que a fazem sofrer.

A história de Cinderella a maioria das pessoas já conhece, então, quando uma nova adaptação aparece, a gente meio que fica esperando ver o que de diferente o filme ou série vai oferecer. No caso de ‘A Vingança de Cinderella’ a promessa é de uma pegada de terror, que de fato acontece, mas apenas no terço final das uma hora e vinte e cinco de filme. O roteiro de Tom Jolliffe dedica muito tempo na interação entre a protagonista e suas irmãs, na relação caseira dessa família, e esse tempo a mais acaba faltando no fim, na resolução da trama que ocorre de maneira rápida. Ainda que a maioria das cenas de terror slasher estejam satisfatórias e criativas, elas não se prolongam o suficiente para dar gosto ao espectador desse subgênero.

Por outro lado, um fator bem criativo do filme de Andy Edwards foi trazer elementos da contemporaneidade para sua produção, deixando que sua leitura de Cinderella se tornasse atemporal: ao mesmo tempo em que o figurino e a locação têm um ar medieval, a Fada Madrinha, por exemplo, invoca nomes famosos de estilistas e outros profissionais para criar o vestido e os sapatos da protagonista, em vez dos ratinhos encantados, e Cinderella vai de carro elétrico Tesla para o baile, em vez de carruagem a cavalos. Essas são algumas escolhas criativas e bem-feitas do diretor para dialogar seu filme com os espectadores ainda que trazendo uma história de época.

A Vingança de Cinderella’ é um terror de baixo orçamento que encontrou soluções interessantes para atualizar a história. Uma opção alternativa para os fãs de terror essa semana nos cinemas.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
Já está se tornando algo bem comum para leitores e espectadores: de uns tempos para cá, personagens de histórias clássicas que permearam o universo imaginário das pessoas acabaram ganhando novas versões de suas narrativas – muitas das vezes, versões mais violentas, sangrentas ou mais...Crítica | A Vingança de Cinderella – Personagem toca o TERROR em Abordagem Sangrenta do Clássico