Crítica | Acima das Nuvens

Crítica | Acima das Nuvens

Nota:


Combinações Improváveis Em Um Jogo de Espelhos

 

O diretor francês Olivier Assayas já é figura conhecida da Mostra de Cinema de São Paulo. Ele teve grande destaque em 2010 com a minissérie Carlos, que narrava a trajetória do terrorista Carlos, O Chacal. Nesta 38ª Mostra, Assayas tem dois filmes: Horas de Verão, de 2008, reexibido no conjunto da retrospectiva da produtora francesa MK2, e Acima das Nuvens (Clouds Of Sil Maria), sua produção mais recente.

Com previsão de entrar no circuitão alternativo depois da Mostra, Acima das Nuvens reúne três nomes improváveis: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Grace Moretz. Isso mesmo, a garota do Crepúsculo e a Hit-Girl de Kick-Ass. Tá!, a maior estranheza fica na conta de Kristen Stewart, uma vez que Chloë Moretz já é uma queridinha da crítica e do público.

Em Acima das Nuvens, Binoche é Maria Enders, atriz de sucesso que recebe o convite para atuar numa remontagem da peça que a consagrou quando jovem. Assayas aproveita essa premissa simples para explorar questões como identidade, autoimagem, peso da idade, chegando ao patamar de metalinguagem bem interessante.

Na primeira parte, Maria tem dúvidas em aceitar o papel, justificando ter grande identificação com o papel da garota, e na remontagem, ter que fazer o papel da mulher mais velha. Figura importante para convencê-la é sua secretária, Valentine (Kristen Stewart), que irá, por toda a narrativa, confrontar as dúvidas de Maria.

Quando ela hesita em aceitar a proposta, Valentine demonstra a importância da nova montagem seja para sua carreira, como também se empenha em demonstrar que Jo-Ann Ellis (Chloë Moretz) é mais do que um rostinho bonito e barraqueiro.

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O melhor do filme vem quando Maria aceita o trabalho e ela e Valentine começam a ensaiar. Várias coisas impressionam nesse ato. A atuação de Kristen Stewart passa credibilidade e carisma para o público. Os questionamentos que a leitura da peça provoca em Maria, colocando em dúvida coisas como, até que ponto, na maturidade, realmente nos conhecemos e as dificuldade de aceitar que o tempo passou.

Ponto alto do filme é o jogo de espelhos em várias camadas. Primeiro, há o jogo de espelhos dentro da narrativa. A peça narra a relação de amor entre duas mulheres, uma madura e uma jovem. Há uma certa tensão afetiva – jamais concretizada – entre Maria e Valentine. E, também, há o choque entre o mundo de Maria, atriz madura, e Jo-Ann, a jovem estrela hollywoodiana.

O segundo jogo de espelho é extranarrativo. Ora, ou não temos em cena o “confronto” entre a veterana Juliette Binoche e as novatas Kristen Stewart e Chloë Grace Moretz? Também temos os contrastes entre o cinema europeu e o cinema hollywoodiano.



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