quinta-feira, janeiro 8, 2026

Crítica | ‘All Her Fault’ – Sarah Snook e Michael Peña brilham em suspense que escancara verdades sobre relações

Amazon PrimeCrítica | 'All Her Fault' – Sarah Snook e Michael Peña brilham em suspense que escancara verdades sobre relações

A princípio, a nova série do Prime Video, All Her Fault, parecia seguir um caminho comum e óbvio, dentro das pretensões de surpreender através de uma trama que gira em torno de um acontecimento que recai sobre uma família muita rica e das verdades de uma desconstrução logo se apresentando. No entanto, os caminhos para se chegar nas conclusões dessa história se torna a grande sacada de um roteiro bem amarrado, com poucas pontas soltas e ótimos personagens, que conduzem o público a reflexões profundas sobre as relações.  



A série vai direto ao ponto desde o primeiro minuto, mostrando que tinha muito mais a oferecer do que um mero suspense que logo apresenta. A envolvente narrativa, pincelada por flashbacks, conduz o público para reviravoltas inesperadas e expõe vícios, machismo e casamentos quase de fachadas. Ao abrir as portas de mansões e colocá-las em uma vitrine, a trama apresenta relações deterioradas em arcos familiares que aparentam a perfeição, mas que, na verdade, escondem diversas questões morais, que explodem a partir de uma situação dolorosa. 

Marissa (Sarah Snook) é uma empresária bem-sucedida que leva uma vida confortável ao lado do marido, o investidor Peter (Jake Lacy), na cidade de Chicago. No entanto, toda a aparente perfeição e sucesso da família é colocado em xeque quando o filho do casal é sequestrado por uma mulher misteriosa. A partir desse ponto, pessoas próximas ao casal passam a se tornar suspeitas, nos guiando para desenrolares bombásticos que afetam a vida de todos os personagens. 

Podemos dividir toda a trama em algumas partes. Em um primeiro momento, o contexto geral se estabelece a partir do acontecimento central, abrindo margem para dúvidas sobre inúmeros personagens. A partir do quinto episódio, o quebra-cabeça proposto vai se afunilando, sem nunca esquecer a investigação que se segue – ponto fundamental para que a atenção se torne constante do início ao fim –, conduzido por um dos melhores personagens da obra: o detetive Alcaras, interpretado com maestria pelo ótimo Michael Peña. 

A pluraridade dos personagens chama a atenção, entre aqueles que vivem dentro de uma bolha e os que estão fora dela, cada um com sua importância na história. Assim encontramos a ótima protagonista – interpretada por Sarah Snook, em atuação destacada – imersa num casamento à beira de um colapso; Jenny (Dakota Fanning), a vizinha em um casamento infeliz, que desempenha um importante papel na trama, mesmo esquecida em alguns importantes episódios; Brian (Daniel Monks) e Lia (Abby Elliott), os irmãos cuidados de forma sufocante pelo marido da protagonista; e Colin (Jay Ellis), o sócio e amigo de Marissa que esconde seus próprios segredos, além de outros personagens que vão se juntando à trama.  

Com um clima de suspense constante, abraçado a um poderoso drama que se constrói através das relações entre pais e filhos – abordando a maternidade, a paternidade e deslizes morais -, a série rompe as camadas superficiais do desenvolvimento dos personagens, nos levando até a imprevisibilidade e uma análise profunda sobre a psicopatia, na qual mentiras e manipulações se tornam peças importantes de um tabuleiro macabro que vai se formando. 

Teorias vão se amontoando e logo desmontando-se, como se a série convidasse o público a despertar o lado Sherlock Holmes que existe em cada um de nós. All Her Fault, baseada em uma obra homônima escrita por Andrea Mara, é muito mais que uma obra envolvente dividida em oito capítulos: joga na tela questões importantes sobre relacionamentos e mostra como um castelo de cartas aparentemente perfeito pode esconder dores silenciosas.   

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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