InícioCríticasACrítica | Arquivo 81 – Série de TERROR Produzida por James Wan...

Crítica | Arquivo 81 – Série de TERROR Produzida por James Wan te prende até o Último Minuto!


James Wan já é um nome que já pode ser facilmente associado ao terror. Quando não está dirigindo sua franquia de ‘Invocação do Mal’, está colocando seu nome para elevar as produções dos outros, como a série ‘Arquivo 81’, no qual atua como produtor executivo. E realmente deu muito certo, pois, graças ao seu nome, os assinantes da Netflix puderam receber como indicação no metadados esta série que já é um dos melhores lançamentos da plataforma nesse ano – tanto, que, desde sua estreia, no fim de semana, vem se mantendo inabalável no Top 10.

Dan Turner (Mamoudou Athie) é um excelente arquivista e restaurador de coisas antigas, estragadas ou perdidas. Justamente por isso ele recebe o convite do misterioso Sr. Davenport (Martin Donovan), um multimilionário que lhe pede para que ajude a restaurar uma coleção de 10 fitas cassete encontradas após o incêndio do prédio Visser, em 1994, em Nova York. Desconfiado, Dan não topa o serviço, porém, quando consegue enxergar uma inexplicável conexão entre as fitas e a tragédia pessoal que afetou sua própria família, o rapaz decide embarcar nesse trabalho. O que ele não poderia imaginar era que esse não seria um trabalho como outro qualquer…



Dividido em apenas oito episódios com média de 45 minutos de duração cada, ‘Arquivo 81’ é dessas séries completamente maratonáveis, de tão envolventes. Despretensiosa, a história parte do sujeito comum que é sugado para dentro de um mirabolante turbilhão aterrorizante, baseado (vejam só!) em um podcast de terror, criado por Daniel Powell e Marc Sollinger. Não à toa, um dos personagens, Mark (Matt McGorry), possui um podcast.

O roteiro de Helen Leigh e Rebecca Sonnenshine é cuidadosamente construído para inserir os elementos de maneira muito, muito sutil, especialmente as referências para a elaboração da história – que são muitas! É bem legal ficar tentando pescar todas as homenagens aos gêneros do terror, do suspense e da ficção científica que a série coloca, pois apesar de muitas vezes os personagens literalmente falar sobre elas (e, ainda assim, o fazem de maneira muito orgânica), em outras a inserção é mais camuflada. Para quem curte uma caça ao tesouro, há referências a ‘O Iluminado’, Stephen King, ‘Arquivo X, ‘Annabelle’, ‘Invocação do Mal’, entre outros elementos literários ou da cultura pop. Até mesmo a inserção do merchan dos produtos é bem-feita, de modo a parecerem que fazem parte do cenário. Ponto para os assistentes de direção.

Rebecca Thomas traz firmeza na sua direção de ‘Arquivo 81’, fazendo com que personagens e elementos evoluam na medida certa, junto com o desenrolar do enredo. Ao inserir um clima de suspense constante, todo episódio termina com um gancho que simplesmente obriga o espectador a continuar em frente para entender como e por que as coisas estão acontecendo daquele jeito. Na supervisão de sua produção, nota-se que a diretora foi ancorada por uma equipe muito competente, que se dedicou a não deixar ponta solta no projeto.

Recheada de nostalgia dos anos 1990, ‘Arquivo 81’ é uma série de terror que engaja o espectador até o último minuto com sua história cheia de peças a serem encaixadas e argumentos sólidos que justificam as ações dos personagens. Programão para assistir de uma sentada só!

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
MATÉRIAS
CRÍTICAS

NOTÍCIAS