Nos anos 2000, apenas duas sagas de livros permeavam o imaginário infantil: Harry Potter e Artemis Fowl. Responsáveis por moldar uma geração inteira de leitores – com narrativas que flertavam com o inimaginável e exploravam a criatividade infantil, ambas as franquias literárias sempre foram vistas como grandiosas promessas que aflorariam nas telonas. Enquanto HP viu a luz do projetor sucessivas vezes em meio a orçamentos e bilheterias milionárias, Artemis Fowl viu seu vigor ser engavetado em projetos que nunca foram adiante, até agora.

Para os adultos que cresceram com as mirabolantes aventuras de Artemis, que antes só existiam no campo das ideias, talvez seja necessário se desapegar da versão adaptada de Kenneth Branagh, que mais se preocupa em cativar a atual geração que não viu de perto o frenesi gerado pelos livros. Aqui, Artemis Fowl: O Mundo Secreto possui um compromisso maior em dialogar com os pequenos e tenta explorar as alegorias quase élficas da mitologia da saga de Eoin Colfer, para hipnotizá-los em direção a uma trama que traz de tudo um pouco, ainda que não se preocupe muito em desenvolver os universos que apresenta.

Colorido e com efeitos visuais que tropeçam no começo, mas acham o seu rumo ao longo da narrativa, o sci-fi juvenil peca por não dar profundidade aos seus personagens, tão pouco para suas respectivas origens. Carregando a trama com elementos dos mais diversos, o filme se transforma em uma explosão de acontecimentos que se desenrolam de forma rápida até demais. Perdendo o brilho do material original, a produção perde também pela falta de ousadia e ambição de tentar seguir pela mesma perspectiva madura que a franquia cinematográfica de Harry Potter percorreu com maestria. Tornando a narrativa de Artemis excessivamente infantil, a trama nos deixa um tanto à deriva, esperando pelo grande momento em que seremos arrebatados pela magia de Fowl.



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Ainda assim, com todos os seus tropeços, o sci-fi estrelado por Ferdia Shaw, Josh Gad, Judi Dench e Colin Farrell consegue recuperar o seu fôlego por se apresentar como uma aventura que, em geral é divertida – se vista de forma despretensiosa. Com cenas de ação eletrizantes, a produção tem potencial para crescer e conquistar um público sólido no futuro, mas tudo dependerá da abordagem narrativa a ser adotada.

Aos olhos do público mirim, a produção deve despertar o mesmo imaginário alegórico que os livros assim o fizeram com a geração millennial. Por essa ótica, a adaptação até consegue mostrar a que veio e acerta por ter sido lançada no formato de streaming, garantindo um público muito maior que – provavelmente – não conquistaria nos cinemas. Com pontas soltas que abrem precedentes para uma futura sequência, Artemis Fowl pode não ser a adaptação que nós queríamos, mas não se assuste se ela se tornar a nova queridinha das crianças.

 

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