Criação do britânico Michael Bond ganha um gracioso filme em live-action

A primeira aparição do ursinho Paddington foi em 1958. Criado pelo inglês Michael Bond, o personagem se tornou sucesso em seu país, protagonizando uma série de livros infantis. Você muito provavelmente, mesmo que não tenha se dado conta, já deve ter visto a imagem do ursinho de chapéu e casaco de chuva (muito útil, já que suas aventuras se passam na chuvosa Londres). O longa-metragem do simpático ursinho é uma coprodução entre França e Reino Unido.

O curioso é que a campanha de marketing para a divulgação da obra infantil quase saiu pela culatra. O público (em parte os chamados trolls da internet) achou a imagem do ursinho parado encarando, de roupa, chapéu e mala, muito creepy (ou perturbadora) e começou a vender essa ideia. Logo, o ursinho virou um meme, que ao invés de impulsionar sua imagem fofa e inocente, trazia a criaturinha ao lado de massacres e vilões assustadores, tudo para enfatizar sua qualidade desconcertante.

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O resultado do filme, no entanto, não poderia ser mais oposto. A figura de Paddington nos conquista imediatamente. No filme, conhecemos a origem do ursinho nas florestas do Peru, vivendo ao lado da tia Lucy (voz de Imelda Staunton no original) e do tio Pastuzo (voz de Michael Gambon no original). Já o protagonista recebe a dublagem de Ben Whishaw no original e de Danilo Gentili na versão brasileira. Após um acidente, que destrói os sonhos da família se mudar para Londres, o pequeno animal falante precisa viajar sozinho.

Chegando à fria cidade inglesa, o bichinho é tratado como um imigrante pedinte e desabrigado, um dos interessantes paralelos traçados pela obra. As Aventuras de Paddington é um filme infantil com diversas referências espertas o suficiente para trazer sorriso ao rosto dos pais, sem que estes fiquem checando o relógio de tempos em tempos. Não chega a ter a dinâmica a jato de Uma Aventura Lego, tampouco é bobinnho e vazio como Os Smurfs.

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São diversas gags visuais, trocadilhos e tiradas permeando os 95 minutos de exibição. Sozinho na estação de trem londrina, cujo nome serve para seu batismo humano, o urso conquista a família Brown. Levado inicialmente para passar apenas uma noite, a presença do peludo protagonista vai cativando um a um todos os membros desta irregular família. Obviamente, em seu todo, As Aventuras de Paddington possui uma estrutura muito familiar, que remete ao clássico oitentista E.T. – O Extraterrestre. Ou seja, a trama da criatura que chega para preencher uma lacuna ou ajustar uma estrutura.

É nas entrelinhas que o filme ganha, assim como todos que não utilizam a originalidade no roteiro, mas sim a criatividade. Paddington entrega momentos para a criançada, com o ursinho aprontando todas, igualmente satisfazendo os mais velhos com inúmeros detalhes em sua produção, como uma ótima direção de arte, efeitos de qualidade, e atuações mais empenhadas do que esperaríamos para um filme como este. Dentre as quais destacam-se as de Hugh Bonneville (da série Downton Abbey) como o severo e bonachão patriarca Sr. Brown, Julie Walters (Mamma Mia!) como a desmiolada Sra. Bird, e a estrela Nicole Kidman, no papel da eficiente vilã Millicent. Sally Hawkins (indicada ao Oscar por Blue Jasmine) e Jim Broadbent (vencedor do Oscar por Iris) completam o elenco.

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