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Crítica | ‘Aurora’ é um IMERSIVO doc sobre maldição familia, intolerância religiosa e true crime [Olhar de Cinema]


Prepare-se para ser transportado para uma jornada íntima e visceral, onde o misticismo e a fé se entrelaçam em um drama familiar de tirar o fôlego.

O documentário ‘Aurora‘ teve sua estreia no 14º Olhar de Cinema e realmente me conquistou, trazendo reflexões extremamente pertinentes.

É uma obra cinematográfica emocionante e crucial, que cativa o espectador com sua história tensa sobre uma família que, por gerações, acredita estar sob o jugo de uma maldição ancestral. A narrativa se aprofunda nos complexos e, por vezes, dolorosos conflitos religiosos que surgem dessa crença, tecendo um embate cultural e espiritual entre o Cristianismo, a Umbanda e o Candomblé.



Apesar de demorar para engatar, com seus primeiros 40 minutos bastante arrastados, ‘Aurora‘ se transformar em algo instigante quando finalmente chega na história que quer contar. Uma história brutal cheia de feminicídios.

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A câmera adentra o lar dessa família, revelando as dores, os medos e as esperanças de indivíduos que veem suas vidas e as de seus antepassados marcadas por infortúnios inexplicáveis. Enquanto uns membros da família buscam Cristo,

O roteirista, diretor e protagonista João Vieira Torres consegue transpor todos os seus sentimentos para a tela com imagens lindas, uma narração que realmente desperta o interesse – usando uma sonoplastia realmente inspirada. É um mergulho para a história de sua família.

Os temas são abrangentes: a avó parteira e curandeira, a homofobia que ele passou com a família, as tias fofoqueis, as mortes inexplicáveis, a intolerância religiosa…

A tensão é palpável, crescendo à medida que os relatos se sucedem, pontuados pelas tentativas de encontrar respostas e libertação em diferentes caminhos espirituais. A fé é, ao mesmo tempo, um refúgio e um campo de batalha, onde a devoção cristã de alguns se choca com as práticas e os rituais da Umbanda seguidos por outros, cada lado buscando sua própria verdade e solução para a suposta maldição.

A sensibilidade e a perícia de João Vieira Torres são inquestionáveis. Sem julgamentos ou preconceitos, ele constrói uma narrativa respeitosa e incrivelmente humana, permitindo que cada membro da família expresse suas crenças, suas dúvidas e seus dilemas mais íntimos. O enredo, por sua vez, é uma aula de como transformar uma premissa tão pessoal em uma história universal.

Por fim, ‘Aurora‘ é mais do que um documentário; é uma experiência catártica. Ele desafia preconceitos, convida à reflexão sobre a vida e a ancestralidade. Uma obra imperdível para quem busca um cinema que emociona, provoca e oferece uma janela para as complexidades da fé e dos laços familiares no Brasil.

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