terça-feira, fevereiro 10, 2026

Crítica | Blood: Drama inspirado na história de Michelle Williams e Heath Ledger é poético, mas falta personalidade

Filme assistido durante o Festival de Sundance 2022

Chloe é uma mulher e reconstrução, que começa a redescobrir o amor em uma nova terra, distante das constantes lembranças de seu falecido esposo. Cercada pela cultura oriental e diante de um idioma que pouco domina, ela é uma metáfora que até então não conhecíamos da atriz Michelle Williams e de seu doloroso e lento processo de cura pós-morte do seu ex-esposo e pai de sua filha, o astro Heath Ledger.

Williams pouco fala sobre sua história com Ledger, que se consagrou ainda mais ao dar vida ao Coringa na trilogia O Cavaleiro das Trevas. Mas seu amigo e cineasta Bradley Rust Gray canalizou suas angústias e feridas em Blood, um drama romântico sobre recomeços que consegue ser profundamente poético, mas infelizmente pouco eficaz.

Acompanhar a jornada de Chloe (Carla Juri) em sua delicada amizade com Toshi (Takashi Ueno) nos convida a uma reflexão sensível a respeito de como Williams teria lidado com sua própria perda e com a redescoberta do amor. Mas ainda que a inspiração em sua própria jornada e processo estejam nos átrios de Blood, é inegável notar que o longa perece pela falta de personalidade. Exageradamente intimista, o drama é de ritmo lento e deixa o público à espera de um clímax dramático ou de um momento de despertar que nunca chega.



Contemplativo, na expectativa de se tornar sinestésico para a audiência, o drama se torna uma jornada incompleta para sua protagonista, que caminha em círculos durante boa parte da trama. Com um roteiro construído a partir de recortes de momentos e fragmentos do passado de Chloe, Blood é um tanto apático e cansativo. Sua narrativa principal, sempre escondida nas entrelinhas, até funciona, mas não por duas horas de filme – se tornando maçante e repetitivo, como se a história funcionasse como uma extensão das memórias e da rotina da personagem. Talvez se tivesse sido construído como um curta-metragem, a obra de Gray teria funcionado melhor.

E embora o filme tenha uma premissa importante, que reflete sobre a vida em meio ao luto, ele fica mais como um sonho que não se concretizou. Com uma direção poética que explora a estética oriental e o cenário bucólico do interior do Japão, Blood é uma catarse simbólica feita mais para Michelle Williams do que para o público. Não funciona para nós, mas talvez seja exatamente a expressão máxima de como a atriz lidou com sua dor ao longo dos últimos anos. O que já torna o drama algo especial, independente de seus erros.

Não deixe de assistir:

Assista TAMBÉM:

Últimas Notícias

Show de Bad Bunny no Super Bowl se torna o mais VISTO da história do evento

Bad Bunny continua se consolidando como uma força imparável...

10 filmes de TERROR perturbadores para bagunçar sua mente

Toda pessoa que ama filmes de terror acredita que,...