*O filme estreia nesta sexta-feira, 30 de outubro, às 22h30 na TNT

Fracassados à sua maneira e rejeitados pelos seus, dois homens que poderiam muito bem ser pai e filho se encontram em uma espécie de bifurcação da vida, onde uma silenciosa sensação de abandono habita. Em Caindo em Pé, Ben Schwartz é Scott, um jovem que cambaleia como comediante stand up com piadas indiferentes e impessoais, que não dizem nada sobre si ou sobre sua história. Como alguém que fez de tudo para fugir da pequena cidade do interior de onde veio, ele fracassa em uma Los Angeles sem tempo para artistas amadores e se vê de volta à estaca zero, na casa dos pais.

Já na sua terra natal, está Billy Crystal como Marty, um dermatologista que ainda que queira, jamais conseguirá fugir do seu passado. Ambos enraizados em seus particulares dilemas, eles encontrarão um no outro o apoio e amparo necessários para trilhar uma nova história, que talvez guarde em si um futuro um pouco mais esperançoso. Premiado em festivais de cinema, Caindo em Pé é o tipo de comédia dramática nascida na era pré-pandemia que nunca fez tanto sentido como hoje. Quase como um conto vanguardista, o longa marca a estreia na direção de Matt Ratner, conhecido produtor de longas como Band of Robbers e Manson Family Vacation.



Com uma trama simples que traz em sua essência a certeza de que há sempre um recomeço, independente das escolhas feitas ou não, a dramédia carrega em si um ar reconfortante e acalentador que inspira as relações humanas. Trazendo uma narrativa simbólica que ainda trabalha a fragilidade dos diversos seios familiares e como ela pode afetar as nossas vidas a longo prazo, a produção consegue ser profundamente reflexiva dentro de sua própria simplicidade, à medida que nos leva ao riso com delicadeza e gentileza.

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Equilibrando o humor com o drama com naturalidade, Caindo em Pé é ainda marcante pela construção de seus personagens. Complexos e cheios de camadas, eles surgem em tons de cinza, são permeados por decisões boas e ruins e se desenvolvem em um dinamismo surpreendente. Sabendo usar o seu tempo de tela com precisão, Ratner não aparenta ser um novato na direção e consegue desmembrar as camadas mais fundamentais de seus dois protagonistas em diálogos que soam como música para os ouvidos e tocam no nosso íntimo.

Trazendo os personagens secundários e terciários para o centro da trama, a partir de seu nível de conexão com os protagonistas Marty e Scott, o roteiro de Caindo em Pé – de autoria de Peter Hoare – sabe aproveitar os arcos e subtramas que acompanham cada qual dos coadjuvantes, permitindo que um nível de conexão e mutualidade seja gerado entre a audiência e todos do elenco. Com uma dinâmica relacional impressionante e hipnotizante entre Crystal e Schwarts, a comédia dramática nos coloca diante do que parece ser uma antiga e peculiar amizade, agregando um valor ainda maior para a trama.



Reunindo alguns clichês dramáticos que visam engrossar a complexidade da trama, a produção é o tipo de filme que facilmente se conecta a qualquer tipo de público, por tratar de questões tão universais e tão palpáveis como pressões familiares, sonhos profissionais, relacionamentos fracassados e os fantasmas do passado. Com atuações encantadoras e absolutamente naturais, o longa proporciona uma experiência divertida e leve, à medida que nos encoraja a reavaliar nossas vidas e escolhas. Feito no passado de forma impensada para um futuro que jamais imaginaríamos que existiria, Caindo em Pé é ainda um lembrete incrível do quão necessário é fazer com que o cinema indie chegue ao público de massa. E a TNT entendeu isso muito bem.

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