Crítica | Cara Gente Branca: 3ª Temporada – Série deixa parte da essência no churrasco neste novo volume

Crítica | Cara Gente Branca: 3ª Temporada – Série deixa parte da essência no churrasco neste novo volume

Nota:


Eis então que uma das melhores séries da Netflix por duas temporadas seguidas retorna para uma terceira etapa, ou deveria dizer volume?! Bom, Cara Gente Branca marcou seu retorno neste mês de agosto para dar continuidade aos acontecimentos que o público pôde presenciar durante a season finale passada, afinal, todos foram deixados com o cliffhanger do encontro entre Samantha White (Logan Browning) e Lionel Higgins (DeRon Horton) com o narrador, e agora também personagem, uma parte do quebra-cabeças em relação a Order of X, o ator Giancarlo Esposito.

Após dois anos de muito soco no estômago sem dó e nem piedade, a terceira temporada parece se conter dentro de si e trazer uma storyline mais branda e menos assertiva. É como se, ao mesmo tempo em que a história perde um pouco do foco antes proposto, os personagens também se inserem nesta dinâmica, se mostrando perdidos dentro dos seus próprios conflitos e problemas. A sensação de um só caminho com histórias paralelas parece agora se tornar diversos caminhos que sequer estão se cruzando.

Para início de conversa, a querida Sam parece roubada de parte da essência vista nos dois anos anteriores. Agora ela se encontra focada no filme que precisa fazer para defender sua tese e o programa de rádio, Dear White People, que antes norteava toda a dramaturgia está esquecido no churrasco. Com a saída da protagonista e Joelle Brooks (Ashley Blaine Featherson) assumindo, os roteiristas optam por deixá-lo de escanteio e apenas mostrar poucos momentos do mesmo.

Lionel também está em outra vibe, aquilo que fazia dele um jornalista promissor está em algum lugar que não é possível ver enquanto ele explora sua sexualidade, conhece novas pessoas e passa a escrever uma espécie de diário sobre suas aventuras como um gay assumido. Esta, inclusive, se torna uma das poucas partes intrigantes, ao mesmo tempo em que faz com que o espectador se questione dos motivos pelos quais o personagem não poderia fazer as duas coisas, dando-lhe até mesmo mais camadas no processo. O interessante é o desenvolvimento de sua relação com um aluno da Winchester University.

Reggie Green (Marque Richardson) nunca foi o mais interessante dos personagens, mas vamos combinar que sua trama era uma das mais importantes dentro de Cara Gente Branca. Entretanto, agora ele se torna boring ao nível hard e seu relacionamento com Joelle não ajuda em nada, já que os dois juntos sequer possuem química diante das telas. Coco Conners (Antoinette Robertson) tinha tudo para ter uma trama bem desenvolvida, ainda mais se formos considerar as crises de ansiedade, entretanto, neste universo perdido, todos se mostram assim (perdidos).

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Contudo, alguém precisava obter um desenvolvimento, no mínimo, e Troy Fairbanks (Brandon P Bell) mostra que finalmente está crescendo e amadurecendo. A improvável amizade que surge entre ele e Abigail (Sheridan Pierce) é um dos pontos altos desta temporada e mostra que o jovem tem muito mais a apresentar do que o público pensava. Do outro lado, Gabe Mitchell (John Patrick Amedori) também tem seu arco bem explorado e traz debates intrigantes, assim como cenas singulares que resgatam a essência da série criada por Justin Simien.

De uma perspectiva geral, Cara Gente Branca fez uma temporada mediana com pouquíssimos pontos altos, sendo um deles – e não poderia deixar de citar – a crítica ao feminismo branco de The Handmaid’s Tale. Contudo, essas cenas e diálogos bem direcionados não conseguem salvar a produção deste caminho com pouco sentido em que se inseriu. É como se o público estivesse assistindo a algo que lembra aquilo que já foi visto antes, contudo, sem a mesma qualidade. A trama deixa uma abertura na história que indica as chances de uma próxima temporada, então, resta aguardar e torcer para voltarmos a era instituída pelos dois primeiros anos.



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