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Crítica | Carta ao Rei – Série da Netflix é uma Fantasia Medieval para jovens


A nova série juvenil da Netflix, ‘Carta ao Rei’, tem sido uma boa opção de entretenimento para crianças e jovens na faixa de 10 a 12 anos. Baseada no livro homônimo de Tonke Dragt, a trama é focada no jovem Tiuri (Amir Wilson), o típico herói que não se acha herói: não sabe lutar, não tem interesse em ser cavaleiro, quer dar orgulho pro pai mas só traz decepção, etc. Um dia, durante o treinamento para se tornar cavaleiro, um misterioso homem bate à porta e pede ajuda; Tirui vai atrás dele e um cavaleiro moribundo lhe entrega uma importante carta, que deve ser levada até a próxima lua-cheia ao Rei Favian (Yorick van Wageningen), ou, do contrário, algo terrível poderá acontecer entre os reinos de Unauwen e Dagonaut.

Como vocês podem ver, a série se baseia na clássica jornada do herói, com direito a atender o chamado, um mentor que direciona o herói, alguns percalços para desviá-lo do objetivo, etc. Tá tudo bem redondinho, seguindo o manual. Nesse sentido, o roteiro de William Davies (que também criou a série) realiza o passo a passo sem oferecer nenhuma ousadia. Por outro lado, ele é bem (beeeeeeeeeeeem) didático, com cenas e atuações tão engessadas, que geram incômodo. É exemplo disso as cenas de inserção de personagens ao longo dos episódios, que entram em cena se apresentando, dizendo suas origens e seus objetivos, para que fique claro ao espectador quem é bonzinho e quem é do mal.



Na mesma medida, o roteiro tem momentos que pedem boa vontade do espectador, porque são tão propositais para fazer o roteiro andar, que alguns nos fazem revirar os olhos, como por exemplo a cena em que Sir Fantamur (Omid Djalili) entra na casa em busca de Tiuri, que está escondido no armário; ele diz que vai revistar a casa, o pai de Tiuri se interpõe e é assassinado, e Sir Fantamur simplesmente vai embora, sem revistar a casa.

Para quem estiver curioso só pela história, ela se desenvolve apenas no 1º, no final do 3º episódio e a partir do meio do 5º – todo o resto é apenas um preenchimento de espaço. E exemplo dessa encheção de linguiça é a cena de beijo gay entre dois personagens, no final do 5º episódio, de maneira totalmente gratuita, sem construir nenhum afeto entre os dois.

Mas, é uma superprodução mesmo, com direito a tomadas aéreas, paisagens de tirar o fôlego, uma boa caracterização medieval e também traz nosso queridinho Andy Serkis, como o pai da jovem Lavinia (Ruby Ashbourne Serkis, que é, na vida real, filha do próprio Andy Serkis!). É uma série rápida, de apenas 6 episódios com cerca de 40 minutos, voltada ao público pré-adolescente e com uma história tão fechada, que sinceramente nem precisaria de uma 2ª temporada. Mas é uma dica interessante para manter os jovens entretidos em casa.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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