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Crítica | Charli XCX dá início a uma espetacular era musical com as impecáveis faixas “House” e “Chains of Love”


A carreira de Charli XCX tem sido bem interessante desde seu surgimento no cenário fonográfico: responsável ao lado de nomes como A.G. Cook e SOPHIE pela popularização da PC music e do hyperpop, Charli encontrou sucesso tanto no cenário independente com incursões como “Vroom Vroom” e “Track 10” quanto no mainstream com iterações como “Boom Clap” e “Fancy”.

No ano passado, Charli passou por um novo ápice profissional com o lançamento de ‘BRAT’. O aclamado álbum, que conquistou a crítica e o público por seu teor totalmente hedonista e despojado, além de vir acompanhado de uma originalidade inabalável que trouxe referências de suas raízes na música e maximizou uma potência significativa com canções como “360”, “Sympathy is a knife”, “Guess” e “Von Dutch”. Não é surpresa que seu grandioso e estupendo retorno tenha lhe garantido três estatuetas do Grammy e cimentado seu inegável status no show business.

Pouco tempo depois de ter encerrado uma era de sucesso absoluto, a cantora e compositora se mostrou pronta para embarcar no próximo capítulo de sua carreira, dando-nos um gostinho do que poderíamos esperar com o lançamento da colaboração “House”, ao lado de John Cale. Funcionando a princípio como uma das faixas integrantes da trilha sonora do remake de O Morro dos Ventos Uivantes, a canção tornou-se o primeiro vislumbre de um ambicioso álbum intitulado Wuthering Heights – cujo lançamento está agendado para fevereiro do ano que vem e que tem tudo para se tornar uma das melhores e mais maduras produções da performer.



Iniciando-se com um poderoso solilóquio guiado pela presença teatral e catártica de Cale, a track é uma agourenta obra-prima sonora e sinestésica que se transmuta em uma experiência única marcada pela dissonância de cordas e pelo uso expressivo de sintetizadores que converge o narrador à espectral figura que Charli adota para seu próximo compilado de originais. Toda a epopeica construção materializa a insanidade em que os protagonistas do romance de Emily Brontë, Heathcliff e Catherine, se encontram, tentando escapar de um labiríntico beco sem saída que prenuncia a próxima canção promocional: “Chains of Love”.

Se Charli resolveu se apoderar de uma construção propositalmente incômoda e angustiante em “House”, a música subsequente mantém-se fiel às dissonâncias já esquadrinhadas – mas colocadas em uma atmosfera mais palpável e “mercadológica”, por assim dizer. De fato, é impossível colocar um rótulo de mainstream à faixa, porém, é notável como ela e seu colaborador de longa data, Finn Keane, procuram um retrato dialógico que usa e abusa do chamber-pop e de uma fantasmagórica distorção eletrônica para falar sobre as mazelas de um amor controverso que a torna prisioneira de um sentimento, a princípio, puro e imaculado.

Essencialmente, o lead single oficial de Wuthering Heights é uma impecável e antêmica balada pop que se esquiva das fórmulas sem abandoná-las por completo – abraçando o que é necessário para nos envolver por menos de três minutos em uma declamação profunda e tocante. E é dessa maneira que Charli está nos preparando para o que pode se tornar sua era musical mais madura até então.

Lembrando que o álbum tem lançamento agendado para 13 de fevereiro de 2026.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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