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Crítica | Chernobyl: O Filme – Os Segredos do Desastre – A Resposta Russa à Série da HBO


Um dos eventos mais trágicos da História do mundo contemporâneo é a tragédia de Chernobyl, quando o reator nuclear no.4 da usina homônima explodiu na cidade de Pripiat, na Ucrânia, no ano de 1986. Hoje, 35 anos depois, chega aos cinemas brasileiros o longa ‘Chernobyl: O Filme – Os Segredos do Desastre’, produção russa – aliás, a primeira do país sobre este assunto – que está sendo propagandeada como a resposta russa à premiada minissérie de 2019 da HBO, que arrebatou o público internacional ao ficcionalizar o episódio a partir de cidadãos que estavam no local na hora da explosão.

Em ‘Chernobyl: O Filme – Os Segredos do Desastre’ conhecemos Olga (Oksana Akinshina), uma jovem mãe que trabalha como cabelereira na cidade. Ela é surpreendida pela chegada de Alexey (Danila Kozlovsky), com quem havia tido um relacionamento no passado e, mais tarde, descobrimos ser o verdadeiro pai do filho de Olga. Quando um dia o menino está brincando com sua câmera e registra o exato momento em que o reator no.4 da usina nuclear explode, Olga e Alexey percebem que algo estranho está acontecendo na cidade, pois as pessoas estão sendo evacuadas. O que eles não imaginavam naquele momento era que o acidente era muito pior do que se podia esperar, e que os dois teriam que literalmente lutar por suas vidas e pela vida dos cidadãos da cidade.



Desde o lançamento da minissérie da HBO a Rússia se manifestou contra a romantização e a liberdade ficcional que a produção estadunidense teria tido com relação à criação em cima de um episódio ocorrido na Ucrânia, território que já pertenceu à Rússia e a ex-União Soviética. Assim, quando eles anunciaram uma “resposta” à produção estadunidense, a expectativa foi lá em cima, e o público ficou no aguardo de uma visão talvez mais aprofundada, mais raivosa ou mesmo mais emocionante do evento, entretanto, não é o que ocorre em ‘Chernobyl: O Filme – Os Segredos do Desastre’.

Em duas horas e vinte minutos de duração, o longa dedica quase que metade de sua extensão em retratar o convívio da família ficcional, desde o reencontro entre Olga e Alexey, passando pela revelação da paternidade de Alexey e da profissão do rapaz, que é bombeiro, até por fim fazer o link desse núcleo com a explosão em Chernobyl. O problema é que o roteiro de Elena Ivanova e Aleksey Kazakov passa a maior parte do tempo contando a história dessa família comum do que o acidente em Chernobyl em si, e, quando aborda o tema, resume-se a apenas o ponto de vista deste bombeiro que se voluntaria a participar do resgate, de modo que o espectador pouco se aprofunda nos erros e acertos que levaram à explosão desta usina nuclear.

Uma curiosidade é que o diretor do filme é o protagonista do longa, Danila Kozlovskiy, que antes fez o papel do Oleg na sérieVikings’ – que foi parcialmente dirigida por Johan Renck, que também dirigiu a minissérie da HBO. Assim, de certo modo, ambas as produções se complementam, entretanto, ‘Chernobyl: O Filme – Os Segredos do Desastre’ é muito mais um drama pessoal de cidadãos diretamente afetados pela tragédia do que um panorama do acidente nuclear. Não é uma resposta à altura da minissérie, mas, ainda assim, é uma resposta.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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