Crítica | Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível – Para crianças e adultos

Crítica | Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível – Para crianças e adultos

Nota:

Em Busca do Bosque dos Cem Acres

O cineasta alemão Marc Forster está se tornando sumidade quando o assunto é sobre personagens infantis icônicos e atemporais, e seus criadores. Nestas histórias, crianças e adultos se mesclam e procuram a mesma coisa, caminhando numa tênue linha entre o amadurecimento e o aflorar de nossa criança interior.

Em 2004, o diretor assinou Em Busca da Terra do Nunca, filme de grande prestígio protagonizado por Johnny Depp na pele de J.M. Barrie, o responsável pela criação do personagem Peter Pan. O filme acompanha o tempo em que Barrie passou ao lado das crianças que o inspirariam para tal ideia, e de sua mãe solteira, papel de Kate Winslet. O longa foi indicado para 7 prêmios no Oscar, entre eles melhor filme e melhor ator para Depp.

 



 

Agora, Forster volta ao universo mágico, trocando a Terra do Nunca e o menino que não queria crescer pelo mundo do Bosque dos Cem Acres e os personagens criados por A.A. Milne e E.H. Shepard. A estrutura confeccionada aqui, no entanto, funciona mais como a de Hook – A Volta do Capitão Gancho (1991), superprodução de Steven Spielberg, cuja premissa parte da ideia de um Peter Pan finalmente crescido, longe da Terra do Nunca e precisando retornar para salvar seus filhos.

O mesmo ocorre aqui com este Christopher Robin, trazendo para os holofotes figuras muito queridas como o Ursinho Pooh e todos os seus amigos. A trama mostra o menino Robin, dono dos bichinhos de pelúcia, se mudando para o internato e depois seguindo com sua vida, formando sua própria família – com esposa e filha – e por trinta anos esquecendo completamente de seus sentimentos pelos antigos companheiros de aventuras e imaginação.

Na fase adulta, o protagonista é vivido por Ewan McGregor. E o filme conta ainda com a presença da bela Hayley Atwell, no papel da esposa de Robin, Evelyn. Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível por pouco não se tornou um “filme gêmeo”, como Hollywood costuma fazer vez ou outra, lançando nos cinemas filmes de temáticas ou roteiros muito similares. Ano passado estreou Adeus Christopher Robin, estrelado por Margot Robbie, Domhnall Gleeson e Kelly Macdonald – lançado direto em vídeo no Brasil. Este funcionando ainda mais como Em Busca da Terra do Nunca, ao apresentar a biografia do autor A.A. Milne e como seu filho Christopher Robin o inspirou a criar os inesquecíveis personagens.

No filme de Forster, o menino Robin nas formas de McGregor cresceu para se tornar um workaholic, negligenciando constantemente sua família. É quando em sua vida reaparece o ursinho simpático e inocente, com a proposta de resgatar sentimentos puros esquecidos pelo protagonista.

O cinema vive reforçando valores que constantemente esquecemos. Em um mundo cada vez mais individualista, por vezes deixamos de lado inclusive quem amamos em nome de acúmulo de bens materiais e capital. Vivemos indiscutivelmente em uma era ambiciosa na qual quem tem mais posses e sucesso são as únicas pessoas que importam. Parece ingênuo, mas é necessário de ser endossado constantemente.

O problema de Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível é que reside numa área neutra como num vácuo, não atingindo completamente nenhum público por completo. Para o espectador mais velho, o filme é deveras simplista, infantil e bobinho – mesmo que sua mensagem seja bonitinha e os efeitos que recriam os personagens sejam espantosos de tão bons. E para as crianças, a ausência da verdadeira magia, num filme no qual a grande aventura é levar documentos a um escritório, circundada por uma trama burocrática e aborrecida sobre trabalho e negócios, pode ser fatal para perder de vez sua atenção.





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