Crítica | Ciclo: 38ª Mostra de Cinema de SP

Crítica | Ciclo: 38ª Mostra de Cinema de SP

Nota:

O SILÊNCIO QUE PRECEDE O ESPORRO

 

Sabe quando achamos que estamos fazendo algo que vai ser bom para nós, mas, ao final, os burros encontram a água? O filme turco Ciclo (Daire) pode ser lido assim, como uma trágica ironia sobre a vida. Muitas situações podem parecer nonsense, mas elas seguem a mesma lógica, personagens que buscam algo, mas que suas ações resultam o inesperado.

Se a descrição acima pode passar a impressão de tratar-se de uma comédia, não! O filme de Atil Inac é equilibrado entre humor e drama, embora este prevaleça. Três são as personagens de destaque: Feramus (Fatih Al), um professor de filosofia que precisa vender as terras da família, mas enfrenta a burocracia que deseja tornar a área uma reserva ambiental; Betül (Nazan Kesal) é diretora de teatro que, pela crise econômica, passa a trabalhar como uma espécie de agente funerária; Arif (Erol Babaoglu) é um funcionário de um aeroporto novinho, mas que não funciona por causa do tamanho da pista.

Mesmo sendo Feramus o que tenha maior destaque, são os outros dois que são os mais cativantes. Betül é uma fortaleza. Precisando de dinheiro para o tratamento de saúde de sua filha, ela faz um curso para tornar-se a responsável pelo ritual religioso de lavagem do corpo de mulheres mortas.



Bem mais leve é a história de Arif. Funcionário de um aeroporto sem atividade, Arif e os demais funcionários agem como se o aeroporto estivesse em plena atividade. Uma representação bem humorada de uma vida sem sentido.

Em algum momento, nossos três heróis estarão diante de uma grande ironia da vida – no caso de Betül, uma ironia dolorosa; três pessoas que tomaram um rumo para suas vidas, mas a vida decidiu mudar o percurso.





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