Crítica | Cinco Tipos de Medo – Vencedor de 4 Kikitos, Filme com Xamã e Bella Campos é um dos MELHORES do Ano!



Em agosto do ano passado, um filme se destacou muito no Festival de Gramado – tratava-se de ‘Cinco Tipos de Medo’, que simplesmente levou 4 Kikitos para casa: Melhor Ator Coadjuvante (Xamã), Melhor Roteiro, Melhor Montagem e, simplesmente, Melhor Filme. Com quatro troféus como abre-alas na sua trajetória, fica a dica ao espectador: esta produção tão premiada está chegando aos cinemas brasileiros no próximo dia 9 de abril.

Cena do filme 'Cinco Tipos de Medo'
Cena do filme ‘Cinco Tipos de Medo

Uma pesquisa revelou que os seres humanos, de uma forma geral, sentem cinco tipos de medo na vida. Assim conhecemos Murilo (João Vitor Silva, de ‘Aumenta Que é Rock n Roll’), um jovem internado com covid. É no hospital que conhece a enfermeira Marlene (Bella Campos, a Maria de Fátima de ‘Vale Tudo’), e, um tempo depois, os dois se reencontram na rua. Assim começa um intenso relacionamento entre os dois, mas, rapidamente, Murilo descobre que Marlene é, também, namorada de um dos chefes da quebrada, Sapinho (o trapper Xamã). A partir daí, a vida e o destino desses três estão entrelaçados, só que as escolhas deles também impactam na vida da policial Luciana (Bárbara Colen, de ‘Bacurau’), que busca vingança.

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De todos os Kikitos que recebeu, ‘Cinco Tipos de Medo’ mereceu cada um deles.

Escrito e dirigido por Bruno Bini, o roteiro desse filme é, dentre todos os aspectos, o quesito que mais se destaca. Partindo de uma suposta pesquisa pública, Bruno faz uso desses cinco tipos de fobia para construir não só seus personagens, mas também as situações nas quais eles se envolvem, e, destas, dar ritmo e segmento ao seu filme. Então, vem o segundo aspecto excelente do longa: a montagem. Com uma edição acelerada que corta, costura, remonta e desmonta, o enredo vai e vem aos poucos, revelando peça por peça, mas, para que essas idas e vindas do roteiro não se tornassem cansativas para o espectador, a montagem, voltada para uma produção de ação, fez toda a diferença para tornar o espectador engajado e com a respiração suspensa desde a primeira cena exibida.

Cena do filme 'Cinco Tipos de Medo'
Cena do filme ‘Cinco Tipos de Medo

Vale ressaltar que embora se trate de uma história urbana, e que envolve violência, ‘Cinco Tipos de Medo’ se passa no Cuiabá, e faz questão de evidenciar isso. O que é bacana, afinal, reforça que todas as regiões do Brasil são capazes de produzir audiovisual de qualidade.

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Ainda sobre o roteiro, vale destacar que embora seja um filme de ação com toques de suspense, é a parte do humor que surpreende e cativa no longa. Não que haja comédia em ‘Cinco Tipos de Medo’, ao contrário: das situações muitas vezes absurdas e surreais que nasce o nervosismo, o pânico do cidadão comum, e são esses momentos que o humor inesperado surge e contagia a plateia, proporcionando ao espectador um misto de alegria e culpa por estarmos rindo numa situação que, em teoria, não se deveria rir.

Tal envolvimento é oriundo de um elenco cuidadosamente escalado e intrinsecamente afinado, que imprime as reações certas de cada personagem nos momentos cruciais. Como o ponto de vista da história muda com frequência, chega a ser difícil encontrar quem seria o protagonista nessa trama. E aí entendemos por que Xamã levou o prêmio de Ator Coadjuvante, afinal, nos idos dois mil e vinte e poucos o então cantor ainda não havia feito novelas e já em ‘Cinco Tipos de Medo’ demonstrava todo seu potencial dramatúrgico.

Para quem gosta de referências, ‘Cinco Tipos de Medo’ bebe em fontes tarantinescas com influências de ‘Cidade de Deus’, ‘Tropa de Elite’, ‘Oldboy’, dentre outros. Mas, cima de tudo, é um filme muito bem escrito, muito bem realizado e que é pra ver na tela grande para uma melhor experiência. Ótima dica para quem quer fazer valer o ingresso do cinema.

Cena do filme 'Cinco Tipos de Medo'
Cena do filme ‘Cinco Tipos de Medo
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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.