Ao longo de sua carreira, Madonna nos entregou várias obras-primas musicais, desde o álbum que a transformou na superestrela pop como a conhecemos, ‘True Blue’, até os revolucionários ‘Like a Prayer’ e ‘Ray of Light’. Após enfrentar críticas pungentes com o lançamento de ‘American Life’, a icônica musicista mostrou que tinha forças o bastante para se reerguer (mais uma vez) com um cuidado processo criativo que culminou no atemporal ‘Confessions on a Dance Floor’.
Lançado em 2005, o álbum foi projetado para se assimilar a uma setlist de DJ, contando com vibrantes faixas recheadas de um preciosismo nostálgico de tirar o fôlego e que se tornou um dos grandes emblemas do pop não apenas da década em que estreou, mas das seguintes, servindo de base para que artistas como Britney Spears, Lady Gaga, Beyoncé e muitas outras realizassem algo similar, cada qual à sua maneira. Contando com singles como “Hung Up” e “Sorry”, o efervescente álbum ganhará uma aguardada sequência com ‘Confessions II’, agendado para o dia 3 de julho – e que apresenta uma Madonna pronta para voltar às pistas de dança, mas sob uma ótica mais madura e mais arriscada.
O primeiro vislumbre dessa nova era veio com a ótima faixa promocional “I Feel So Free”, que colocou a performer em contato novamente com o dance e o EDM em uma escapista iteração que aumenta as expectativas para o disco completo. E, depois de ter lançado o lead single oficial “Bring Me Love” ao lado de Sabrina Carpenter, Madonna escalou a ajuda da prestigiada DJ sul-coreana Peggy Gou, um dos principais nomes da música eletrônica atual, para um divertido e despojado remix que tem as melhores intenções – mas que, por alguma razão, não funciona como deveria.
Estabelecida em Berlim e nutrindo de um apreço significativo pela estética Eurodance, que ganhou popularidade no continente a partir dos anos 1990 e se tornou emblema da indústria fonográfica local, Peggy Gou sagrou sua estética com os singles “I Go” e “(It Goes Like) Nanana”, ambos de seu álbum de estreia ‘I Hear You’. E, pelo mesmo motivo que a tornou bastante popular em território europeu, as peculiaridades da produtora vão de encontro ao que Madonna, Stuart Price e ARCA fizeram na versão original – apostando em uma construção que, apesar de prestar homenagens às pulsões noventistas do house e do dance, soa bastante americanizada.
O resultado é um conflito de partes que por vezes se completam, por vezes soam muito dissonantes: o primeiro minuto do remix se inicia com as eletrizantes e frenéticas batidas de um nu-disco que logo dá espaço uma comunhão de sintetizadores; porém, assim que a rainha do pop entra com seus vocais, as coisas parecem sair do eixo – como se a faixa anteriormente pertencesse a Peggy Gou e fosse “usurpada” pela chegada de Madonna. Vez ou outra, nos acostumamos com a profusão de estilos que compõe a track, mas o discurso robótico e maquiado da performer volta a causar um certo incômodo, como se algo faltasse para que a ideia das artistas funcionasse como deveria.
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