Crítica | Dashcam: Blumhouse lança caótico terror cômico ao estilo de A Bruxa de Blair

Assistido durante o Festival de Toronto 2021

De baixo orçamento e com habilidosa montagem, filmes feitos no formato found footage ajudaram a expandir as fronteiras do gênero de terror. E se consagrando como um manifesto sociocultural do final dos anos 90 e início dos anos 2000, A Bruxa de Blair foi quem abriu essas portas, nos levando a um movimento diferente dentro do cinema, que faz do hiper-realismo o instrumento principal de um conto horripilante. E depois do sucesso de Atividade Paranormal, a produtora Blumhouse volta os seus olhos para esse nicho, com o caótico e exagerado Dashcam.

Fãs do absurdo e que estão dispostos a encarar o inusitado vão encontrar no novo filme de Rob Savage – coescrito também por Gemma Hurley e Jed Shepherd, uma experiência inesperada. Com uma protagonista intragável e irritante, o terror cômico nos leva para uma viagem à Inglaterra em plena pandemia, onde a COVID-19 é o menor dos problemas. Sem muita explicação e muito contexto, o longa faz uma junção do gênero found footage com o formato blogger, onde Annie Hardy vive uma versão caricata de si mesma, uma youtuber que registra cada instante da sua viagem desnecessária e inesperada a um amigo distante.

E o que deveria ser apenas uma visita indesejada, se transforma em uma horripilante aventura com ares sobrenaturais e vampirescos, repleta de jump scares e momentos de impacto que surpreendem a audiência. Com uma montagem excepciona, o cineasta Savage faz o seu filme com um smartphone e transforma o vazio das ruas em virtude do lockdown em uma oportunidade narrativa que funciona em partes e prende a atenção da audiência. No entanto, seus exageros e sua protagonista com zero carisma tornam o longa de curta duração em uma sessão mentalmente exaustiva.

Dinâmico, mas às vezes confuso, Dashcam é um indie com cara de festivais de cinema, que pouco se preocupa com o seu roteiro, direcionando os seus esforços para elementos mais manipuláveis, como design de produção, efeitos visuais e jogo de câmeras. Divertido, mas excessivo em sua própria alegoria, o filme funcionaria melhor como curta-metragem – justamente por trazer uma protagonista incapaz de segurar a trama com sua intragável acidez e falta de qualquer decoro social.

Mas de todo modo, Dashcam é mais uma vez o produtor Jason Blum furando sua própria bolha e permitindo que projetos ousados e transgressores demais ganhem espaço nas telonas, com um pequeno orçamento. O resultado sempre funciona? Não, mas é justamente dessa forma que novos clássicos do terror nascem.

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