Crítica | De Encontro Com a Vida – Comédia de superação é mais do mesmo

Crítica | De Encontro Com a Vida – Comédia de superação é mais do mesmo

Nota:

Vira e mexe o cinema nos proporciona experiências profundas dentro de filmes aparentemente simples. Se olhar com atenção, verá que na alma do projeto existe uma grande mensagem de superação. E é exatamente essa a missão que o longa alemãoDe Encontro Com a Vida tenta alcançar, só que sem imaginação nenhuma.

Na trama, baseada em fotos reais, o jovem Saliya (Kostja Ullmann) perde 95% de sua visão devido uma doença. Enxergando praticamente nada, ele decide que a recente deficiência não irá impedi-lo de seguir seu grande sonho: trabalhar em um dos hotéis mais famosos de Munique, na Alemanha. Porém, para manter seu emprego, ele decide não contar nada sobre sua falta de visão e enfrenta os desafios diários, enquanto se apaixona perdidamente por Laura (Anna Maria Mühe).

Parece original? A premissa sim, à primeira vista, logo essa trama interessante se dissolve em muitos momentos de fracasso do roteiro, caindo em todas as convenções do gênero e ao mesmo tempo não abraçando nenhuma delas. A comédia não funciona, com piadas de mau gosto e/ou forçadas, o romance entre o casal não avança e o drama afunda em situações que quase beiram o absurdo.




Se a ideia de quebrar o clichê colocando um cego que finge enxergar, e não o contrário, soa intrigante, os clichês do romance forçado tomam conta e enraízam por todo o filme. Mesmo com os esforços de Ullmann para entregar um personagem carismático, com seu belo sorriso desajeitado, até mesmo nas horas mais escuras, sejam satisfatórios, o roteiro não o permite ir para lugar nenhum.

O debate sobre o lugar do deficiente visual na sociedade é, talvez, o ponto alto do filme, que explora esse assunto de forma bem clara e satisfatória, além da relutância do personagem de aceitar que nunca mais será o mesmo. O protesto funcionaria melhor se a comédia sem graça fosse mais inteligente, claro, mas existe ali uma reflexão interessante que vale à pena absorver. Imagina fazer todas as coisas do dia-a-dia enxergando apenas 5%? Porém, como o roteiro é novamente o elo mais fraco, a trama prefere mostrar repetidamente a rotina de um hotel de luxo, com detalhes irrelevantes ao espectador que pagou para ver uma dramédia e não um programa do canal H&H.

O diretor Marc Rothemund se esforça para fazer algo bom com o que tem em mãos. Sua direção precisa, a escolha dos planos fechados, closes e Point of View são adequados e usados na hora certa, sempre causando aflição ao mostrar a visão difícil do personagem, nos colocando no lugar dele e nos fazendo absorver mais profundamente aquelas situações constrangedoras.

E por falar em situações, o filme está repleto de momentos nonsense, como a super-audição de Saliya dentro de uma festa com o som altíssimo, mesmo sabendo que a audição se apura conforme se perde a visão, aqui o personagem mais parece ter saído de Demolidor do que qualquer outra coisa. Isso para não começar a citar os atos irracionais que ele insiste em cometer, como cuidar de uma criança em um parque (e escalar cordas!) e descer uma montanha de bicicleta. Em muitos momentos, o roteiro parece esquecer que o personagem é cego.

 

Recentemente, a comédia dramática Doentes de Amor abordou temas muito semelhantes, como o protagonista também ser estrangeiro, uma doença separar casal e a superação das dificuldades, a diferença é que este acertou em todos os pontos queDe Encontro Com a Vida falhou.

No fim das contas, De Encontro Com a Vida acaba sem imaginação, com seu ritmo arrastado e repetitivo. A única lição que aprendemos com essa experiência é como não se comportar quando se trabalha com hotelaria. Se o filme não te divertir, ao menos vai saber como fazer bons drinks e limpar seu espelho sem deixar manchas.





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