Crítica | Descendentes 3 – Novos Cabelos, Menos História

Crítica | Descendentes 3 – Novos Cabelos, Menos História


Nota:


Quando o primeiro filme da franquia ‘Descendentes’ surgiu, em 2015, os fãs das princesas foram à loucura, pois a proposta da Dona Disney era justamente jogar uma nova luz nos famosos contos de fadas, atualizando-os para a linguagem e as temáticas importantes para a juventude. Porém, quatro anos depois, o terceiro filme da franquia chega diretamente ao Disney Channel trazendo muitas perucas e pouca história.

Para quem viu os dois filmes anteriores (olha o alerta de spoiler aqui!), é sabido que Mal (Dove Cameron) conquistou Ben (Mitchell Hope) meio que sem querer, e, embora os dois tenham se apaixonado, Mal não estava exatamente à vontade com a ideia de ser rainha de Auradon e deixar a Ilha dos Perdidos de lado. Isso já foi o tema do filme 2, e achamos que tinha terminado tudo bem ali, mas, então, voltamos ao mesmo draminha na nova continuação. Afinal, quando esses dois vão se decidir? Ou, melhor: quando esses dois vão decidir que casamento não é uma boa ideia enquanto ambos não amadurecem?

Enfim. Em ‘Descendentes 3’ uma força obscura ameaça a paz de Auradon. Só que essa força obscura aparece e desaparece bem aleatoriamente, sem ser aprofundada. Aliás, nada nesse novo filme é aprofundado: os personagens vão de um ponto a outro sem uma razão forte, dando a sensação de que estão vagando pelo cenário para ocupar o tempo; um encanto que é jogado desaparece quando a pessoa entra na ilha, ok, mas quando volta a Auradon, o encanto não retorna; o relacionamento entre os personagens está mais superficial do que nunca, ao ponto de alguns deles sequer ter mais que três falas; as músicas não entretêm, não animam e não trazem nenhuma mensagem tocante para quem assiste – aliás, com exceção da primeira, todas as outras surgem do nada, apenas para preencher um buraco.

Aproveite para assistir:


Todos esses pontos, dentre muitos outros, são oriundos do roteiro preguiçoso de Sara Parriott e Josann McGibbon (que também fizeram os anteriores, puxa vida!), e que, com o intuito de trazer uma mensagem de que “todos somos capazes de sermos bons e maus, independentemente de que lado da barreira estamos” (dita na última cena, para ficar bem evidente), criou e argumentou uma história com muitas falhas, pouca ação e ainda menos coerência. Cabia a Kenny Ortega, diretor do longa, ter tentado corrigir essas questões tão evidentes da versão final, ou mesmo de ter tentado acertar tudo isso na hora de filmar, já que ele também foi responsável pelos filmes anteriores.

Uma vez que – novamente – a história toda recai sobre Mal, a atuação de Dove Cameron fica em evidência, e chama a atenção como a atriz de 23 aninhos cresceu, encorpou e mudou um bocado desde o último filme. Mas quem rouba a cena mesmo é Uma (China Anne McClain), com sua desenvoltura natural tanto para cantar e dançar quanto para desdenhar das princesinhas. Destaque também para Celia (Jadah Marie), filha do Dr. Facilier (‘A Princesa e o Sapo’), super carismática, apesar de não ter ganhado muito espaço nessa trama, assim como a queridinha Evie (Sofia Carson), que também ficou apagada. Vale ainda uma menção honrosa a Doug (Zachary Gibson), que está parecendo filho do Nicolas Cage; para os filhos do Smee (Christian Convery e Luke Roessler), que estão parecendo filhos do Doc, de ‘De Volta Para o Futuro’; e para Harry (Thomas Doherty), filho do Gancho, que não só ganhou mais falas como também em sua primeira cena está parecendo filho do Loki, de ‘Vikings’.

Para quem é fã dos filhos dos vilões, os elementos de que mais gostamos estão lá: os novos cabelos coloridos e novos penteados, roupas com design super descolado, e o principal: apesar de tudo, a franquia ‘Descendentes’ continua centrando sua história em protagonistas femininas, sejam elas boas ou más. E isso é realmente MUITO legal.

Descendentes 3’ não é um filme para se ver muitas vezes, mas, quem é fã, deve assistir, até porque há uma pontinha que não só dá brecha para uma continuação, como anuncia a chegada de personagens queridos. É inevitável, porém, nos sentirmos tristes com a ideia de que este foi o último filme do Carlos (Cameron Boyce). Fica o legado de um rapaz jovem e sorridente, que conseguiu fazer um cachorro falar e contribuir para o imaginário do mundo Disney.



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