Você está com saudade de um bom novelão mexicano, cheio de clichês, traições, reviravoltas e uns bonitões dando pinta na telinha que te fazem seguir pro próximo capítulo? Então você vai adorar ‘Desejo Sombrio’, nova série mexicana original da Netflix.

A advogada e professora Alma Solares (Maite Perroni, a queridinha Lupita, de ‘Rebeldes’) é uma esposa e mãe dedicada, porém infeliz no casamento. Quando decide passar o final de semana em Cuernavaca, na casa de sua melhor amiga, Brenda (María Fernanda Yepes), ela conhece o misterioso Darío Guerra (Alejandro Speitzer), com quem passa uma tórrida noite de amor. De volta à sua rotina, Alma tem que lidar com o fato de haver traído seu marido e com uma paixão que deveria durar apenas uma noite, mas que não consegue tirar da cabeça.

Há muitos pontos positivos no roteiro de Leticia López Margalli, todos girando em torno da temática do argumento criada por ela. Em uma camada profunda, porém bem evidente, ‘Desejo Sombrio’ utiliza bastante dos seus dezoito episódios de trinta e poucos minutos para debater a violência contra a mulher. Através das aulas da professora Alma, a série conversa com o espectador sobre os motivos pelos quais devemos combater o feminicídio, por que as mulheres têm dificuldade de entender que estão em um relacionamento abusivo, como acabam se colocando em situações de risco sem nem perceber, etc. Trazer esse tema tão urgente ao entretenimento é fundamental para alertar os espectadores.

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Apesar disso, com uma primeira temporada tão longa, por várias vezes a gente se distrai desse foco tão importante, porque a trama vai se enrolando, desenrolando e voltando a enrolar tantas vezes, que a gente até perde o interesse. Sem contar os inúmeros flashbacks, que a partir do terceiro episódio começam a intercalar com o avanço da história com tanta intensidade, que terminam por arrastar o enredo.

Mas o que está fazendo sucesso meeeeesmo em ‘Desejo Sombrio’ são as diversas cenas eróticas de sexo. São muitas mesmo, especialmente com a protagonista Alma. Neste ponto, não passa despercebido o cuidado que os diretores Kenya Marquez e Pitipol Ybarra tiveram em não ficar explorando demais os corpos dos atores nessas cenas, especialmente os corpos femininos. A câmera é posicionada para que não haja exibição frontal dos seios, por exemplo. As cenas são sensuais apenas o suficiente, e funcionam muito bem.

Do elenco, o destaque fica mesmo com Maite Perroni, que consegue transitar bem numa personagem confusa, cheia de tesão, porém insegura em se permitir sentir e fazer as coisas, embora sua personagem seja beeem Isabella Swan (inclusive esteticamente), e com Alejandro Speitzer, que cumpre o papel de ser um homem sexy.. O destaque negativo fica para Jorge Poza, que faz o marido de Alma, pois em todas as cenas parece estar apenas reproduzindo falas paulatinamente, que nem um robô. E ele não é o único no elenco.

O recheio de ‘Desejo Sombrio’ encontra espaço até para jogar luz sobre o importante trabalho da poeta mexicana Rosario Castellanos, uma das principais vozes da Geração 50 daquele país. Ora e outra os personagens começam a recitar poesias do nada, às vezes narradas em off durante a transição de uma cena.

No final das contas, ‘Desejo Sombrio’ funciona como um novelão mexicano, bem estilo ‘Maria do Bairro’, com muita intriga, um clima de suspense investigativo, romance erótico, lábios trêmulos e dramalhões familiares até dizer chega. As únicas diferenças são o tom sépia, utilizado para dar um ar de exótico à produção, e a filmagem cinematográfica, que aumenta a qualidade da produção da série em comparação à novela dos anos 1990. De resto, é se divertir com a sofrência de ‘Desejo Sombrio’ e treinar o espanhol.

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