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Crítica | Dona Lurdes: O Filme – Regina Casé é a Mãe do Brasil em HILÁRIO e Emocionante Spin-Off da Novela


O ano era 2019. Um pouco antes de o mundo parar tudo por conta da pandemia do coronavírus a rede Globo estreou uma novela que cativou o público logo de cara: tratava-se de ‘Amor de Mãe’, que contava a história de uma mãe cujo filho fora vendido pelo próprio pai e que passava a novela inteira buscando a este filho. Ninguém podia imaginar, na época, o que aconteceria em seguida – a pandemia, que obrigou a produção a interromper as gravações da novela e, nos meses seguintes, retomar as gravações em etapas para conseguir concluir a trama. Talvez até por conta de tudo o que estávamos passando na vida real, ou talvez pela empatia espontânea que o público sentiu com essa mãe, a novela fez um sucesso tremendo e entrou para a história da teledramaturgia brasileira. Agora, com muita alegria, essa mãezona com quem o público brasileiro tanto se identificou está ganhando um filme próprio, ‘Dona Lurdes – O Filme’, comédia brasileira que estreia hoje exclusivamente em toda a rede Cinemark do país.

Após encontrar o filho Domenico/Danilo (Chay Suede), Dona Lurdes (Regina Casé) finalmente pôde viver a sua vidinha normal. Acontece que, aos poucos, cada um de seus filhos foi saindo de casa, seguindo seus próprios rumos. Quando Ryan (Thiago Martins), o último de seus filhos, se muda de sua casa, Dona Lurdes sente um vazio tremendo dentro de casa e fica sem saber o que fazer e como aproveitar os seus dias. Ao mesmo tempo, uma nova vizinha, Zuleide (Arlete Salles), se muda para a casa ao lado e rapidamente conquista a todos da vizinhança. Inicialmente, Dona Lurdes pega pinimba com Zuleide por causa de seu jeito expansivo, mas, após um incidente, as duas se tornam grandes amigas e Dona Lurdes começará a enxergar as inúmeras possibilidades que a vida reserva para ela, para além de cuidar dos filhos.



É claro que para quem assistiu a novela tudo faz muito mais sentido, e inclusive as piadas internas são melhores pescadas, porém, mesmo aqueles que não assistiram à produção anterior consegue facilmente entender a história de ‘Dona Lurdes – O Filme’, pois, resumidamente, cada um de nós conhece alguém cuja história é semelhante à de Dona Lurdes – especificamente, todos nós conhecemos mulheres que passaram a vida cuidando dos filhos, dos pais, dos maridos e que, de repente, na ausência de ter a quem cuidar, não sabe o que fazer com a própria liberdade, tão atreladas à essa obrigação estavam.

O argumento de Manuela Dias e Claudio Torres Gonzaga utilizado para a criação desse filme consegue conquistar uma identificação imediata com seu público-alvo, maior até do que aquele utilizado na novela. Se antes o drama era o fio condutor da história de Dona Lurdes, agora a vida dessa mãezona está muito mais leve, ganhando um delicioso tom de comédia com situações claramente inspiradas no povo. Outro grande mérito da produção comandada por Cristiano Marques é conseguir reunir todo o elenco original (Juliano Cazarré, Jéssica Ellen, Nanda Costa) e ainda incluir grandes nomes, como Evandro Mesquita e Enrique Diaz.

Segunda incursão dos Estúdios Globo pensado no cinema, ‘Dona Lurdes – O Filme’ é um filmaço para ver e rever em família, seja no feriado da Páscoa, seja no Dia das Mães. Uma história super comum comum ricamente interpretada pela brilhante Regina Casé, que demonstra todo o seu potencial dramático e cômico em dois incríveis trabalhos com a mesma personagem. Não é qualquer um que consegue isso.

Dona Lurdes – O Filme’ é o filme do povo brasileiro, e Dona Lurdes é a mãe do Brasil.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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