Crítica 2 | ‘Eles Vão Te Matar’ é uma mistura INSANA e divertidíssima de ‘Kill Bill’ e ‘Casamento Sangrento’



Cuidado: spoilers da trama à frente.

Nos últimos anos, o gênero do terror cômico (apelidado carinhosamente de “terrir”) vem passando por uma ressurgência na sétima arte – com títulos como ‘Freaky – No Corpo de um Assassino’, ‘A Morte Te Dá Parabéns’ e ‘Queens of the Dead’ encontrando um sucesso considerável de público e de crítica e reacendendo nosso interesse por tais narrativas. Não é surpresa que 2026 também viria acompanhado de ótimos títulos desse universo, como a sequência ‘Casamento Sangrento: A Viúva’ e, agora, o ambicioso ‘Eles Vão Te Matar’ – que chega aos cinemas nacionais no próximo dia 26 de março.

Dirigido por Kirill Sokolov, mesmo nome por trás de excêntricas produções como ‘Quem Vai Ficar com Masha?’ e ‘Por Que Você Não Morre?’, a trama é centrada em Asia Reaves (Zazie Beetz), uma mulher que, após permanecer mais de uma década presa, é contratada para trabalhar como funcionária de um misterioso e exclusivo arranha-céu localizado no centro de Nova York, conhecido como Virgil. Porém, o que deveria ser o recomeço de uma vida se transforma em um pesadelo sem fim quando ela descobre que, na verdade, foi arrastada para uma comunidade satânica que a escolhe como a próxima vítima de um sacrifício demoníaco – e que a lança a uma luta interminável e sangrenta pela sobrevivência.

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Asia, na verdade, foi encarcerada após atirar em seu padrasto abusivo, de quem estava tentando fugir ao lado da irmã mais nova (interpretada por Myha’la). Abandonando-a em um ímpeto de não ser pega pela polícia, a protagonista resolveu ocupar o lugar da verdadeira funcionária que havia sido contratada pela taciturna governanta-chefe Lily (Patricia Arquette), assumindo sua identidade afim de resgatar a irmã de um lugar com uma reputação perigosa, sendo um local em que diversos desaparecimentos vinham acontecendo há vários anos. Não demora muito até que Asia perceba que suas investidas não valem de muita coisa, visto que os membros do Virgil são imortais em virtude do pacto que firmaram com as forças infernais.

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O ponto de maior destaque para o filme vai para a comprometida performance de Beetz como a controversa e complexa Asia que, em pouco mais de noventa minutos, é explorada como pode, sem se estender para além do que consegue e mantendo-se fiel a arquétipos bastante conhecidos desse espectro narrativo. Trazendo aspectos que já trabalhou em títulos como ‘Deadpool 2’ e ‘Trem-Bala’, a atriz demonstra um apreço significativo por essas familiares histórias e se joga sem medo em uma das performances mais viscerais (literalmente!) de sua carreira até então, divertindo-se do começo ao fim à medida que mergulha em um tour-de-force em busca da irmã.

Beetz, entretanto, não está sozinha nessa empreitada e divide os holofotes com outras presenças marcantes: Myha’la, que já esquadrinhou um projeto similar com o hilário ‘Morte Morte Morte’, da A24, e singrou pelo suspense com o incompreendido ‘O Mundo Depois de Nós’, da Netflix, esmiuça uma personagem que, apesar de ter a força de outras incursões, é mais falha e ingênua, compondo o expressivo quadro do filme; Arquette traz uma presença dominante com Lily, adotando uma ambígua personalidade descompensada que, de certa maneira, é produto de seu tempo e dos sacrifícios que foi forçada a fazer.

Ainda contando com nomes como Tom Felton, Heather Graham e Paterson Joseph, a singular jornada de Sokolov funciona como um pot-pourri ao terror e à ação em suas diversas multiplicidades, construindo um encontro estilístico entre ‘Casamento Sangrento’ e ‘Kill Bill’ – com referências que variam desde a pungente paleta de cores às sequências de ação -, enquanto promove uma explosão criativa que presta homenagens aos clássicos efeitos práticos utilizados por George A. Romero em sua vasta carreira (e criando um charme artístico que pode parecer exagerado, mas funciona dentro da despojada ambientação de que o cineasta se apropria).

Apoiando-se em uma coleção instigante e muito bem coreografada de planos-sequência estilosos, o diretor, que também fica responsável pelo roteiro ao lado de Alex Litvak, sabe como conduzir a narrativa de maneira a nos envolver por completo; todavia, alguns erros são cometidos durante a construção do longa-metragem, e os principais deslizes ganham força quando, em meio a idas e vindas cronológicas e a pulsões que explicam as motivações dos personagens, percebemos que a duração do longa não é o suficiente para que todas as tramas sejam delineadas como merecem e se rendam a ocasionalidades e a fórmulas.

De qualquer maneira, ‘Eles Vão Te Matar’ tem plena ciência do tipo de longa-metragem que é e, erguido a mãos competentes e que não têm medo de caminhar pelos tropos do terror, da ação e da comédia em um espetáculo visual que, apesar dos problemas, cumpre aquilo que nos promete desde os primeiros segundos.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.