Crítica | Enterre Seus Mortos – Selton Mello e Marjorie Estiano em HORROR Non-Sense



Stephen King é mundialmente reconhecido como o mestre das histórias de terror. Todo mundo o venera por suas tramas mirabolantes de cachorros assassinos, crianças fugindo de palhaço, carros possuídos e jovens lutando para sobreviver em contextos perigosos. Mas boa parte desse público que ama as histórias aterrorizantes do King esquece (ou sequer sabem) que o escritor também tem uma larga estrada no campo das narrativas de ficção científica, e que a maioria delas não fazem o menos sentido, mas, mesmo assim, ganharam adaptações audiovisuais, como as séries ‘O Domo’, ‘The Stand’ e ‘O Nevoeiro’. Todas as histórias de King encontram seu público, mesmo as que não fazem tanto sentido, e, seguindo por essa linha, teve apresentações antecipadas durante o Festival do Rio o longa de horror brasileiro ‘Enterre Seus Mortos’.

Cena de 'Enterre seus Mortos' de Marco Dutra

Edgar Wilson (Selton Mello, de ‘Ainda Estou Aqui’) tem um trabalho ingrato: ele dirige uma caminhonete que atende a chamados para recolher corpos de animais atropelados e/ou encontrados mortos à beira da estrada a caminho da cidade. Junto com seu parceiro Tomás (Danilo Grangheia, de ‘O Sequestro do Voo 375’) eles começam a perceber que o número de animais na cidade está diminuindo, e as pessoas estão ou deixando ou local, ou entrando para uma seita religiosa que faz com que as pessoas tomem um chá misterioso que, através dele, seria possível encontrar um bem-estar alternativo. Dividido entre fugir e ficar, Edgar Wilson mantem seu relacionamento com Nete (Marjorie Estiano, de ‘Abraço de Mãe’), visitando-a frequentemente na casa da tia dela, Helena (Betty Faria, de ‘Se Eu Fechar os Olhos Agora’).

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Adaptado do romance homônimo de Ana Paula Maia, Marco Dutra (de ‘As Boas Maneiras’) escreve e dirige o roteiro de ‘Enterre Seus Mortos’ na maior vibe ‘A Torre Negra’, de Stephen King. O clima de faroeste com o fim de mundo iminente, já tanto abordado na carreira do mestre do terror, na produção brasileira é representado pelo protagonista que só é chamado pelo nome e sobrenome – Edgar Wilson –, pelo seu parceiro Tomás, sempre de chapéu e poucas palavras, pela solidão da cidade de interior que ninguém conhece e pela ameaça que tira a vida dos animais sem nenhuma explicação. Para quem leu a HQ e posteriormente viu a série ‘A Torre Negra’, o clima é o mesmo no filme brasileiro.

enterre seus mortos

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Selton Mello uma vez mais abraça o personagem esquisitão e com certeza se divertiu fazendo um Edgar Wilson totalmente ambientado no clima de non sense que o cerca, lidando com a morte animal e o horror com a naturalidade de um xerife do oeste estadunidense. As cenas de horror, é preciso ressaltar, são bizarras que podem tanto chocar o espectador como provocar o riso, tamanho o absurdo, e elas regem todo o fio condutor da produção, desde a primeira até a última cena, literalmente.

Enterre Seus Mortos’ é a primeira produção original Globoplay e é uma aposta ousadíssima, uma produção de filme de gênero com uma história que é mais do que parece e que pede a total atenção do espectador. Um filme com a cara dos fãs das ousadias paralelas de Stephen King, com muita morte e sangue sem grandes explicações e, sem dúvidas, um dos filmes mais non sense do Festival do Rio esse ano e que faz parte também da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Dois homens conversando, um deles usa chapéu.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.