O fogo descontrolado que atinge muitas áreas de nosso país coloca em perigo a flora, a fauna e algumas comunidades brasileiras. Poucas pessoas sabem, mas a maioria dessas ações tem origem em ações humanas intencionais, principalmente no Brasil. Os dados são chocantes: 90% desses incêndios são provocados pela ação humana, fruto de atos criminosos. A grande pergunta que se faz é: como combater isso?
A guerra contra os incêndios florestais, sob a ótica de brigadistas profundamente afetados em sua região, é o foco do curta-metragem Entre as Cinzas, exibido na quarta noite da Mostra Competitiva de Curtas-metragens do Festival Cinemato 2026. Dirigido pela dupla Daniel Calil e Renato Ogata, vamos percorrendo uma narrativa que, de forma expositiva (por uma perspectiva específica), nos guia até um retrato nu e cru, onde a agonia e a necessidade de fazer algo, busca colocar o espectador dentro da ação.

Detalhando os movimentos, tensão e as dificuldades enfrentadas no cotidiano de um grupo de brigadistas, esse projeto goiano traduz, pelas entrelinhas e de forma aparente, a importância da defesa contra os danos ambientais e sociais provocados por essas ações ilícitas.
Em relação à mensagem que se propõe a distribuir em forma de reflexão, o documentário cumpre seu objetivo sem maiores problemas. Em poucos minutos, já embarcamos nas ações e nos contextos que se abrem a partir do que se evolui no que é documentado. Quanto à forma de contar essa história, parte-se para o encontro ao incômodo, aproximando-se de uma experiência em tempo real. Essas opções transformam o filme em uma experiência imersiva deixando as sensações se sobreporem à explicações mais profundas sobre o tema.
Distante de alguns de nós, essa realidade de luta contra quem usa a natureza como um escudo para a ganância, destruindo a biodiversidade e causando terríveis danos à saúde, existe em nosso país e precisamos pensar sobre essa questão. Qualquer registro sobre esse fato já é um mérito imensurável.



