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Crítica | Esticando a Festa – Uma EMOCIONANTE e surpreendente pérola da Netflix


Sabe aquela sensação de começar a assistir um filme que você não dá nada por ele, às vezes ele é até meio chato no início e, de repente, quando você menos espera, se dá conta de que ele te surpreende e se transforma em um ótimo filme? É exatamente isso que acontece com ‘Esticando a Festa’, novo sucesso da Netflix que não sai do Top 10.

Cassie (Victoria Justice) tem vinte e poucos anos e curte a vida adoidado. Para ela, a vida é uma grande festa, que emenda em outra, e mais outra, e outra mais. Isso a distancia de sua melhor amiga, Lisa (Midori Francis), que é focada no trabalho e não curte muito sair à noite para badalar. No dia do aniversário de Cassie, as duas têm uma grande discussão sobre esse assunto e, no fim da noite, Cassie sofre um acidente e morre tragicamente. Um ano depois, Cassie precisa resolver as pendências que deixou na sua vida para poder entrar no Paraíso, e isso significará ter que recorrer conhecer seus erros e aprender a perdoar.



Sinceramente, ‘Esticando a Festa’ não é o tipo de filme que a crítica ama – porém, é exatamente o tipo de filme que agrada seu público-alvo. Sim, ele é recheado de clichês e dá até para antecipar os dramas e as reviravoltas que serão apresentados no longa, mas, nem por isso, o filme se torna maçante ou fraco. Ao utilizar o conceito de vida após a morte com chance de reconciliação com as pendências não resolvidas da vida e trabalhar este tema no universo jovem adulto ‘Esticando a Festa’ acerta no tom certo para abordar o tema sem recair em espiritualidade. Talvez por isso tenha se tornado um sucesso imediato desde a sua estreia na Netflix.

Carrie Freedle elabora um roteiro previsível, porém gostoso de seguir pois por mais que a jornada seja de Cassie, o que importa mesmo é acompanhar a vida das pessoas com as quais ela precisa se reconciliar: Lisa, sua mãe (Gloria Garcia) e seu pai (Adam Garcia). Tudo bem que a parte da mãe fica bastante superficial e mal trabalhada, e a do pai peça uma dose extra de boa vontade, mas o que rouba mesmo o espetáculo é a história de Lisa, interpretada pela fofíssima Midori Francis, da série igualmente fofíssima ‘Dash & Lily’, também da Netflix.

O filme de Stephen Herek parte da protagonista Cassie para contar como no final das contas a única coisa que levamos da vida são as relações que construímos com as pessoas que conhecemos. Assim, os primeiros vinte minutos do filme são bem enjoados porque a vida dessa protagonista é bastante vazia e baseada em valores distorcidos, portanto esse iniciozinho das cerca de uma hora e quarenta de duração pode dar uma cansada, mas vale a pena insistir pois ‘Esticando a Festa’ – apesar do título bem ruim português, que não condiz com sua essência – pode te surpreender, e não se espante se no final uma lágrima ou duas escorrerem no seu rosto, pois, por mais clichê que o filme se apresente, ele consegue construir um bom arco dramático que engaja a emoção do espectador.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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