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Crítica | ‘Eu, Eddie’ – Um retrato sobre um grande observador que nunca para de criar


Fazer os outros rirem é algo muito difícil – poucas pessoas conseguem. E transformar isso em profissão, menos ainda. Expressando-se de várias formas e se tornando um grande observador que nunca para de criar, o ator Eddie Murphy marcou seu nome na cultura pop mundial com seu jeito irreverente, sorriso marcante e uma habilidade impressionante de atrair a atenção para seu talento.

Para contar um pouco de sua trajetória, chegou à Netflix nesse finalzinho de 2025, o documentário Eu, Eddie que revisita parte da carreira do artista – fã de Richard Pryor e Muhammad Ali – desde os inesquecíveis shows de Stand-Up Comedy até o sucesso em Hollywood, lotando cinemas e teatros. Hoje, o nova-iorquino de 64 anos não está tão em evidência como em outros tempos, mas sua filmografia, espalhada pelos streamings, segue conquistando os amantes da comédia.



Nascido no Brooklyn, em abril de 1961, logo no início da fase adulta causava burburinhos com o sucesso de suas apresentações em bares badalados de humor. Notado, conseguiu uma vaga no Saturday Night Live – programa de televisão ligado à comédia que era sensação da época – no início dos anos 1980, após parte do elenco original já ter se despedido do show. Esse foi o primeiro passo de uma carreira que, logo depois, chegaria ao cinema e viria a ser uma das mais bem-sucedidas entre os artistas daquela época.

Dirigido pelo duas vezes vencedor do Oscar de Edição, Angus Wall, o projeto procura não se aprofundar, passando rapidamente por momentos marcantes de sua vida profissional e pessoal. Guiado pelo próprio depoimento de Murphy – gravado em sua linda mansão na Califórnia – temas como sua infância, a relação com a família, a chegada da fama através do primeiros sucessos na tela grande e um pouco do seu processo criativo não são esquecidos. Em complemento, a visão de amigos próximos e de nomes importantes do cenário da comédia norte-americana, como Dave Chappelle, Chris Rock, Jerry Seinfeld e Kevin Hart, enriquece a obra.

Com quase cinco décadas de uma carreira vitoriosa, é impossível não lembrar de 48 Horas, Um Tira da Pesada, Um Príncipe em Nova Iorque, Professor Aloprado e até sua chegada a indicação ao Oscar por Dreamgirls – Em Busca de um Sonho – que veio ao mesmo tempo do fracasso Norbit. Trechos desses filmes são mostrados, algo que ativa memórias de todos nós, cinéfilos que acompanhamos de perto sua carreira. Com dezenas de personagens marcantes e um sucesso estrondoso, Eddie Murphy abriu portas para que artistas negros virassem protagonistas de blockbusters, tornando-se referência para muitos talentos que foram surgindo ao longo do tempo.

Mesmo em um mergulho superficial, Eu, Eddie, consegue chegar em boas reflexões sobre a vida e carreira de um dos rostos mais conhecidos de Hollywood – um artista completo que ainda tem muito a oferecer.

Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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