Quem não curte um bom mistério? O autor norte-americano, de 64 anos, Harlan Coben vem conquistando não só os amantes da literatura, mas também a turma do audiovisual, com uma adaptação atrás da outra de suas obras repletas de surpresas e com aquelas reviravoltas envolventes. Desde 2020, mais de 10 produções baseadas em suas criações chegaram ao streaming.
Seu mais recente trabalho a ganhar a prateleira da mais famosa plataforma digital de filmes e séries, a Netflix, Eu Vou te encontrar é um daqueles thrillers cheios de peças que, a princípio, parecem desencontradas, mas que, por meio de novos personagens que vão surgindo, conduz os espectadores até uma série de situações envolvendo o comportamento humano, as relações entre pais e filhos e o rompimento dos limites éticos e morais. Tudo isso envolvido em uma espinha dorsal que gira em torno de um drama no âmbito familiar.
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David (Sam Worthington) vive um verdadeiro pesadelo em sua vida desde que foi preso pelo assassinato do próprio filho, um crime que não cometeu. Anos se passam e uma luz de esperança aparece quando sua ex-cunhada, Rachel (Britt Lower), aparece com uma curiosa foto onde um jovem idêntico a seu filho aparece, deixando dúvidas se realmente o garoto morreu. Lutando contra o tempo para encontrar as verdades desse quebra-cabeça, ele contará com a ajuda de Rachel.

Com a experiência de dezenas de obras inseridas nos mais mirabolantes suspenses, Coben sabe muito bem utilizar um entra e sai de personagens que vão contribuindo gradativamente para criar uma atmosfera de tensão dosada, que busca surpreender o público com suas reviravoltas. A fórmula é novamente utilizada nessa minissérie de oito episódios.

O arco inicial é bem objetivo, envolvendo os espectadores logo nos primeiros momentos. Assim, começamos a criar nossas teorias a partir de um homem em total solidão na prisão. Com a ambivalência moral podendo mudar a cada nova virada na trama, em Eu Vou te Encontrar prevalece as incertezas como porta de entrada – algo que fisga a atenção e, mesmo você não sendo tão envolvido pela história em si (há algumas redundâncias e episódios usados como pontes para revelações futuras), acaba querendo ir até o fim para saber até as últimas verdades reveladas.

Neste projeto, que faz parte de uma espécie de ‘Cobenverso’, somos novamente atraídos pela junção entre o não resolvido no passado e as consequências no presente, uma fórmula que parece batida, mas que ainda funciona.
