Desde que ‘Army of the Dead: Invasão em Las Vegas’ estreou na Netflix, em maio desse ano, os fãs do trabalho de Zack Snyder ficaram eufóricos com o que se abria diante de seus olhos: um universo que misturava ladrões de banco extraordinários em um ambiente apocalíptico cercado de zumbis em uma Las Vegas que dava o tom cômico à história absurda. Com uma sinopse tão inventiva como esta, não foi nenhuma surpresa o sucesso imediato desse primeiro filme – o que conseguiu em planos imediatos para novas sequências. Então, veio o anúncio do primeiro filme, um prequel intitulado ‘Exército de Ladrões: Invasão da Europa’, que chegou hoje à plataforma da Netflix.

Muito antes de ser Ludwig Ditier, Sebastian (Matthias Schweighöfer) teve uma vida. Uma vida comum, com um emprego ordinário e um canal no youtube com nenhuma visualização, onde falava sobre seu fascínio pelos cofres mais seguros do mundo. É assim que Gwen (Nathalie Emmanuel) o encontra e lhe propõe se juntar a ela e ao seu grupo – Korina, uma hacker que fala português (Ruby O. Fee), o musculoso Brad Cage (Stuart Martin) e o motorista de fuga Rolph (Guz Khan) – numa espécie de tour pelos quatro cofres que compõem o Anel de Nibelungo, criado por um grande mestre da confecção de cofres, que se inspirou na ópera de Wagner para fazê-los. Assim, Sebastian muda sua vida completamente, tornando-se um criminoso procurado pela Interpol, mas ele topa o desafio não pelo dinheiro, mas sim pela honra de se tornar a primeira pessoa do mundo a conseguir arrombar todos os cofres que compõem o Anel de Nibelungo.



Diferentemente do anterior, ‘Exército de Ladrões: Invasão da Europa’ tem uma pegada mais aventuresca, assemelhando-se mais às produções de ação do que os de terror. Por exemplo, não tem zumbis. Se em Las Vegas os mortos-vivos tocavam o terror, na Europa (o filme trafega entre Munique, Paris e Suíça) a única ameaça é a Interpol (os zumbis só aparecem nos pesadelos de Sebastian ou na televisão). Assim, mesmo sendo uma pré-sequência, ‘Exército de Ladrões: Invasão da Europa’ é, também, um filme independente, que pode ser assistido antes ou depois do anterior, sem que isso prejudique o todo. Além disso, o projeto de marketing não se mostra coeso na franquia aqui no Brasil, pois enquanto o primeiro título não recebeu tradução em português, apenas o subtítulo, neste prequel não só há a tradução do título, mas também, numa tentativa forçada de buscar uma unidade, socaram ali um subtítulo que não faz sentido, posto que não há nenhuma invasão na Europa.

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Exército de Ladrões: Invasão da Europa’ é curiosamente poético e cheio de história e fantasia, o que torna o filme interessante e repleto de referências nerds (o Anel de Nibelungo também inspirou ‘O Senhor dos Anéis’). Dá gosto ver o protagonista ser tão apaixonado por cofres, ainda que este argumento não seja exatamente original (o mesmo mote pode ser visto em filmes como ‘Assalto ao Banco da Espanha’, também lançado esse ano). A forma como Sebastian vai contando a trajetória de cada um dos cofres é comovente e engaja o espectador, ao ponto de o roteiro de Shay Hatten se debruçar quase que totalmente nesse ponto, confiando a ação e a explicação dos roubos  para a imaginação do espectador.

Fosse um filme isolado, ‘Exército de Ladrões: Invasão da Europa’ seria uma produção engraçada de um filme de ação com uma construção curiosa; uma vez que faz parte de um universo que, em princípio, prometia outra coisa, dá uma decepcionada, pois é um filme de assalto a bancos, não de apocalipse zumbi. É um divertido entretenimento, e ainda dá vários ganchos para expandir infinitamente esse novo universo criado por Zack Snyder.



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