Após duas décadas do lançamento de ‘Extermínio‘ (2002) e sua sequência ‘Extermínio 2‘ (2007), a franquia retorna com ‘Extermínio – A Evolução‘, prometendo resgatar o horror visceral e o impacto apocalíptico que marcaram os dois primeiros filmes. No entanto, o que se esperava ser uma reinvenção empolgante do gênero zumbi, nas mãos do roteirista Alex Garland, se transforma em uma experiência frustrante, desorientada e, acima de tudo, sem alma.
Os dois primeiros capítulos da franquia foram marcos do cinema de terror britânico. ‘Extermínio‘ inaugurou uma nova era de filmes de zumbi com sua abordagem mais realista e agressiva, apresentando infectados rápidos, uma atmosfera sufocante e reflexões sociais sobre o colapso da civilização. A cena em que o Cillian Murphy acorda sozinho no hospital e anda por uma Londres vazia e devastada se tornou uma das mais icônicas do cinema.

‘Extermínio 2‘, que dividiu os críticos, me agradou em cheio por expandir esse universo com mais ação, mantendo a tensão e a brutalidade, além de uma direção visual forte e coesa. A cena inicial em que o pai abandona sua esposa e filhos e foge dos zumbis é extremamente perturbadora e bem dirigida.
Já ‘Extermínio – A Evolução‘ parece esquecer completamente o que tornava seus antecessores tão eficazes. O roteiro assinado por Alex Garland, conhecido por obras instigantes como ‘Ex Machina‘ e ‘Aniquilação‘, transforma o longa em um drama familiar melodramático, sem espaço para sustos, tensão ou cenas memoráveis de terror. O que poderia ser uma nova onda de caos e desespero se dilui em conflitos emocionais, diálogos expositivos e um arco dramático que emociona – mas pode decepcionar quem esperava algo aterrorizante.

Danny Boyle, que comandou o primeiro, traz uma direção confusa e fragmentada, investindo em efeitos duvidosos e uma edição frenética. E o que falar das tais cenas filmadas com iPhone? Uma ótima ideia, uma péssima execução.
A fotografia contribui para a sensação de desorientação. A escolha de filtros diferentes — ora verde-escuro, ora azul intenso — cria uma identidade visual por vezes confusa, quase como se estivéssemos assistindo a pedaços de filmes distintos colados em sequência. Em vez de enriquecer a narrativa ou destacar mudanças de tom, essas decisões estéticas apenas tornam o filme visualmente cansativo.
Entre as atuações, o destaque surpreendentemente fica por conta do garotinho Edvin Ryding, que entrega uma performance sensível e instintiva, muitas vezes superando Aaron Taylor-Johnson, que faz o seu melhor mesmo tendo pouco tempo em tela. Jodie Comer, por sua vez, até consegue criar uma personagem intrigante, mas é sabotada por diálogos fracos que minam qualquer profundidade emocional que ela tenta construir.

‘Extermínio – A Evolução‘ é uma tentativa ambiciosa de reinventar a saga, mas falha justamente por negar o que fez a franquia funcionar: o medo, a urgência, o caos. Em vez de elevar a narrativa a novos patamares, Garland entrega um roteiro introspectivo demais, que não assusta. O drama familiar pode emocionar, mas não era isso que eu esperava de um filme da franquia. Para um filme que carrega o peso de uma franquia consagrada, sair do cinema com indiferença é o pior dos destinos.
Vale lembrar que uma nova trilogia já foi anunciada, e o cliffhanger final deve dividir opiniões.

