Crítica | Fuga de Pretória – Daniel Radcliffe se despede de ‘Harry Potter’ e surpreende em novo filme



A África do Sul descolonizou-se da exploração britânica em 1961, porém, o que se viu no período pós-independência não foi uma melhoria na qualidade de vida dos povos sul-africanos, mas sim um profundo racha entre os negros ali nascidos e os brancos que ficaram no país mesmo após a saída dos britânicos – cisão esta que ficou conhecida como apartheid. Esse sistema preconceituoso de organização social prevaleceu por anos naquele país, e originou diversas lutas contra o racismo e a segregação racial, que prevaleceu na África do Sul até o início dos anos 1990. Nesta luta, teve destaque o líder Nelson Mandela, que mais tarde virou presidente do país. Entretanto, outras pessoas também se dedicaram a esta causa, e a história de duas delas é contada em ‘Fuga de Pretória’.

Tim Jenkin (Daniel Radcliffe) e Stephen Lee (Daniel Webber) são dois rapazes brancos engajados no fim da segregação racial, porém, por utilizarem métodos radicais, acabam sendo presos e transferidos para a penitenciária de Pretória, com uma sentença de 12 e 8 anos de prisão. Lá eles conhecem Denis Goldberg (Ian Hart), um veterano no cárcere que também lutou pela causa antirracista, e Leonard Fontaine (Mark Leonard Winter), um homem que há anos tenta escapar da prisão. Juntos eles bolam um audacioso plano para escapar do cárcere.

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Inspirada no livro escrito pelo próprio Tim Jenkin, o argumento desenvolvido por Karol Griffiths não encontra dificuldades para se sustentar, uma vez que o fato de a história ter acontecido de verdade sustenta todo elemento pouco crível da trama. Portanto, o roteiro elaborado por Francis Annan e L. H. Adams basicamente só precisava transformar em cenas fílmicas o feito inacreditável desses três personagens, inserindo aqui e ali um pouco de recheio. E, de fato, é nisso que o filme foca: com pouca sustância sobre a vida pessoal dos protagonistas, o longa se passa quase todo dentro do cárcere – e, mesmo assim, não foca nos terrores e nas violências desse ambiente; ao contrário, traz um olhar bem romântico da prisão, apresentando-a como um espaço limpo e democrático, o que até gera estranheza, mas é uma boa opção para centrar a trama no que realmente importa: a fuga.

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Francis Annan também dirigiu o longa e, além da acertada escolha em focar apenas na experiência do confinamento, também conseguiu arquitetar um crescente de tensão bem sutil e constante, que arrebata o espectador sem que a gente perceba e, quando chegamos ao terceiro ato do longa, nos flagramos prendendo a respiração e torcendo para que tudo se resolva logo. Tudo isso, claro, só é possível com um elenco que exprimisse com convicção as angústias de ter a liberdade privada – e, aqui, destaca-se Daniel Radcliffe, que embora ainda conserve um rostinho de bom moço, está cada vez mais distante do seu antigo ‘Harry Potter’, buscando papéis que tragam maior robustez à sua carreira.

Fuga de Pretória’ é um longa original TNT, com estreia em breve no canal de televisão. É também um dos primeiros filmes inéditos a estrear na reabertura das salas de cinema brasileiras, com exibição, inclusive, no recém inaugurado Alpha Cine Drive-In, em São Paulo. É um bom filme, que prende nossa atenção pela criatividade engenhosa dos personagens, cujo nível de elaboração surpreende.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.