Crítica | Gatunas – dramédia teen intriga apesar de protagonista sem carisma

Crítica | Gatunas – dramédia teen intriga apesar de protagonista sem carisma

Nota:


O universo das produções seriadas é tão expandido quanto o do cinema e hoje em dia existe uma demanda cada vez maior por produções focadas no público mais novo, os chamados teen. Um grande exemplo disso é o canal The CW majoritariamente focado neste espectador. Bom, é claro que a Netflix não ficaria de fora e cada vez mais as suas séries e/ou filmes tem foco nos millennials.

Gatunas, criada por Amy Andelson (Ela Dança, Eu Danço 3), Emily Meyer (Naomi e Ely: A Lista de Quem Não Beijar) e Kirsten Smith (Legalmente Loira), se encaixa perfeitamente no padrão citado acima. Aqui o telespectador acompanha a história de três jovens, de personalidades diferentes, que descobrem que possuem mais em comum do que a cleptomania, já que é a partir de um encontro de cleptomaníacos que as três se conhecem. Elodie Davis (Brianna Hildebrand) é uma adolescente lésbica que precisou morar com o pai após perder a mãe em um acidente, Tabitha Foster (Quintessa Swindell) é a patricinha do colégio, menina de família rica que namora o garoto bonito da escola, e Moe Truax (Kiana Madeira) é a rebelde tatuada e com piercing.

O roteiro é construído numa espécie de caminhos que cada momento acompanha um pouco da vida de cada uma dessas garotas até o ponto em que as três estão juntas, tornando-se um só percurso. Ao longo da dramaturgia, o espectador vai descobrindo um pouco mais sobre a história pessoal delas e das pessoas que as cercam. É como se estivesse vivendo a história pela perspectiva de cada uma e ao mesmo tempo, a partir da visão de cada uma delas sobre a outra.

A narrativa possui uma trama intrigante, especialmente devido ao fato de que o final de cada episódio puxa o outro, fazendo com que seja fácil assistir a série numa tacada só. É como se fosse um filme de dez capítulos de aproximadamente 30 minutos cada. É possível enxergar a mudança na visão de mundo e de atitudes nas personagens que compõem a produção e como suas escolhas vão se moldando a partir do momento em que descobrem umas nas outras essa amizade inesperada.

E por falar em elenco e personagens, uma das protagonistas é o ponto mais negativo de Gatunas. Elodie não possui carisma e não consegue se conectar ao público com facilidade. Apesar de possuir camadas construtivas que favoreceriam seu embasamento, a forma como ela se dispõe em tela é agonizante, na maior parte do tempo. Enquanto isso, Moe é o verdadeiro oposto e conquista quem assiste logo nos primeiros minutos em que aparece. Ademais, ao longo da história se descobre que ela é muito mais do aparenta e finge ser.

Aproveite para assistir:


Tabitha, a terceira do clube de protagonistas, possui um dos arcos mais interessantes que poderia ter sido mais explorado dentro da narrativa, mesmo com episódios de curta duração. Seria intrigante acompanhar um melhor desdobramento de sua dramaturgia. Além do trio, Luka Novak (Henry Zaga) e Noah Simos (Odiseas Georgiadis) são dois interesses amorosos com personalidades que facilmente conseguem angariar a simpatia do telespectador. Enquanto isso, Sabine (Katrina Cunningham) só faz irritar.

Na parte técnica, a direção da série está alinhada ao exigido pelo roteiro e possui três mulheres e um homem assinando a mesma. A trilha sonora é excelente e dá vontade de procurar as músicas para ouvir num looping eterno. A arte não deixa a desejar e cumpre um bom trabalho, especialmente ao se tratar do guarda-roupa de Tabitha.

No geral, Gatunas é uma produção que vale a pena conferir se você gosta de um dramédia, drama + comédia, teen que possui uma boa construção apesar de pecar em alguns quesitos e possuir uma protagonista que mais irrita do que agrada. Se você conseguir passar por isso sem reclamar, então, a série terá cumprido seu propósito através de seu olhar.



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