Crítica | ‘O Homem que Sussurra’ – Top 1 da NETFLIX busca a tensão aos trancos e barrancos

Em 2019, o escritor britânico Alex North lançou sua obra The Whisper Man, um suspense que envolve conturbadas relações familiares e um implacável serial killer que reproduz crimes de uma outra mente perturbada. Bastaram alguns poucos anos para uma adaptação cinematográfica ganhasse vida e fosse lançada em 2026, diretamente na Netflix, aqui no Brasil, com um elenco de peso, reunindo nomes como:  Robert de Niro, Michael Keaton, Adam Scott e Michelle Monaghan.

Chegando rapidamente no Top 1 da líder dos streamings, talvez por ter o elenco já mencionado, que chama a atenção, O Homem que Sussurra, dirigido pelo cineasta neozelandês James Ashcroft, em seu terceiro longa-metragem na carreira, parece seguir uma cartilha de recentes obras que aparecem nos streamings e seguem uma receita de bolo, correndo com a história e buscando prender rápido a atenção. Mas será isso o suficiente?

O roteiro apressado carece de desenvolvimento para os conflitos que se mostram presentes, se atropelando em uma história que não alcança todo seu potencial, principalmente quando pensamos na atrapalhada montagem, com excesso de informações (sugerindo em partes), que culmina no distanciamento gradativo da atmosfera de tensão.

Tom (Adam Scott) é um escritor que se muda para uma nova cidade, Garretton, com seu único filho, o pequeno Jake, após o falecimento da esposa. Quando o jovem desaparece, reacende na polícia, e, principalmente, na detetive Beck (Michelle Monaghan), a possibilidade de que um imitador de um serial killer condenado esteja fazendo novas vítimas. Assim, Tom aciona seu pai, o detetive aposentado Pete Willis (Robert de Niro), que esteve de frente com os desaparecimentos do passado, em busca do paradeiro de Jake.

Em um primeiro momento, esse suspense parecia promissor, partindo das relações conturbadas entre pais e filhos para mergulhar em determinadas psicopatias e também no luto. Com as cartas na mesa, a narrativa se desenvolve em interações marcadas pela solidão, muitas vezes, como é o caso do protagonista, potencializadas por uma fotografia que foca na distância dos personagens, algo que intensifica esse estado momentâneo de alguém refém de uma situação que não se sabe lidar.

Aos poucos, uma incessante trilha nos situa no caos das emoções ligadas ao desespero, deixando aquele clima de suspense sempre no ar, algo que, exageradamente, confunde nos momentos de respiros sobre o que estamos assistindo – é muita informação em sequência e lacunas que são deixadas sem preenchimento pelo caminho.

Do drama ao suspense, acontece uma rápida virada na trama, que atravessa uma narrativa que não se arrisca de uma maneira fora do que já existe quando pensamos em audiovisual. Ao seguir pelo caminho mais seguro, sem se arriscar e nem ao menos dar um aceno a criativas possibilidades de desbravar a linguagem, O Homem que Sussurra se resume a um filme que busca a tensão aos trancos e barrancos e que se parece demais com algumas outras obras que já vimos por aí.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.