Crítica | Godzilla: Planeta dos Monstros - Aventura da Netflix empolga, mas não surpreende

Crítica | Godzilla: Planeta dos Monstros - Aventura da Netflix empolga, mas não surpreende

Nota:

O cinema sempre manteve uma relação de amor com os monstros. A sensação de ver uma criatura destruindo tudo ao seu redor eleva nosso nível de empolgação e nos faz roer as unhas para ver como os frágeis humanos irão destruir tal monstruosidade. Desde as misteriosas criaturas da franquia Cloverfield, até os kaijus de Guillermo del Toro, nós amamos monstros gigantes!

E o Rei de todos os monstros está de volta, pelas mãos da Netflix, com uma roupagem bem diferente das adaptações vistas até agora. Dessa vez, Godzilla causa o caos na primeira parte do animeGodzilla: Planeta dos Monstros, que leva a criatura para um futuro distópico e sombrio, situado no ano de 2048.

A trama é simples, porém eficaz: Godzilla e outros monstros surgem por todas as partes do mundo e destroem toda a civilização, matando milhares de pessoas. A humanidade se vê em colapso, até que uma raça extraterrestre vem à Terra oferecendo ajuda para retirar os humanos do planeta e buscar um lugar habitável para viver em outra galáxia. Depois de 20 anos, a humanidade retorna apenas para descobrir que, no planeta, 20 mil anos se passaram e a Terra se tornou um mundo hostil com um ecossistema diferente comandado pelo Rei dos Monstros.



O protagonista é o jovem Haruo Sakaki (dublado por Mamoru Miyano), que ainda era uma criança quando viu a Terra entrar em colapso e foi obrigado à crescer dentro de uma nave, no espaço, desejando destruir a criatura que o expulsou de sua casa.

O roteiro simples, em alguns momentos chega a ser arrastado, mas consegue mover a trama para frente, mesmo sendo a primeira parte de algo maior. Conseguimos ver que há um arco dos protagonistas evoluindo, apesar do ritmo lento da primeira metade do filme.

Distopias estão em moda e essa não fica para trás, o ar futurista, as naves, as luzes, tudo é visualmente muito agradável, chamativo. Por se tratar de um anime, o gráfico em 3D tem seus momentos de beleza, principalmente nas cenas que mostram a natureza, porém, erra o tom nas criaturas, chegando a deixá-las toscas. O visual desse novo monstro lembra o de Godzilla Resurgence, de 2016, mais orgânico, quase que feito de pedra ou metal. E isso não funciona.

Outro ponto interessante fica por conta da união de duas raças diferentes, algo semelhante com o queAvatar fez: os humanos, frágeis e minúsculos; os humanoides, superiores e sábios. Essa diferença faz com que tenhamos empatia pelos personagens, mesmo que a segunda raça tenha sido pouco explorada nessa parte.

Eis que a empolgação se estabelece, de fato, no terceiro ato, quando vemos as cenas de ação e destruição, que é a verdadeira razão pela qual estamos vendo um filme de monstros, certo? E o filme entrega boas sequências, explosões e até um pouco de emoção e empatia.

Diferente do filme de 2014, dirigido por Gareth Edwards, esse novo Godzilla não tem a função de ser o “herói”, ele nada mais é do que a mais poderosa criatura que já reinou na Terra e a única preocupação é como destruí-lo. E, pelo menos em tamanho, ele definitivamente é. O monstrão tem cerca de 300 metros de altura, o que o torna o maior Godzilla até hoje.

E é com uma direção pontual da dupla Hiroyuki Seshita e Kobun Shizuno, boas cenas de ação e um monstro colossal para se destruir, que o anime empolga e nos faz querer ver o que vem a seguir, porém, dificilmente irá agradar quem não é fã de animes e não está acostumado com as convenções do gênero.





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