Filme assistido durante o Festival de Toronto 2020

Em meio a controversos discursos enfáticos e acalorados e um poder de influência inimaginável para alguém tão jovem, o mundo viu o nome de Greta Thunberg estampar manchetes ao redor do globo nos últimos anos. Dividindo opiniões por seus argumentos frequentemente questionáveis, a jovem sueca foi do anonimato ao estrelato em pouco tempo, se imortalizando – no mínimo – como um símbolo da cultura POP. Sua relevância a longo prazo pode até ser incerta, mas é inegável dizer que ela já se consolida como um “produto” sociocultural do zeitgeist, conforme o próprio documentário I am Greta já exemplifica.



Curiosamente focada e determinada – ainda que muitas vezes aqueles ao seu redor não acompanhem o seu constante entusiasmo -, Greta é uma adolescente que encontrou nas causas ambientais um ponto focal para a sua vida. Diagnosticada com a síndrome de Asperger, TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo, ela usa o que poderiam ser grandes fragilidades na sua saúde física e psiquiátrica como um combustível avassalador para propagar suas ideias. E diferente do que muitos estereótipos pejorativos que foram criados por seus opositores, a Greta não passa de uma adolescente com objetivos e sonhos, que desconhece o impacto das limitações que cruzam o seu caminho.

E aqui no documentário de Nathan Grossman, por mais que nada muito novo e original nos seja apresentado em tela, o que fica como uma lição valiosa é a oportunidade de conhecer Greta para além das manchetes, fake news e matérias partidárias – sejam elas contra ou a favor. Ao mesmo tempo que I am Greta mostra a resiliência da adolescente e o seu ímpeto de tentar gerar alguma mudança no mundo, o longa também apresenta a sua falta de compreensão técnica em se tratando da complexidade do assunto. Estamos diante de uma garota que, embora seja admiravelmente ousada, não entende as inúmeras vertentes e jogos de poder que envolvem os debates socioambientais.

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Introduzindo a personagem como um novo símbolo de esperança da sociedade contemporânea, o documentário é atraente por conseguir ir além do pouco que vemos em matérias nos telejornais e vídeos dos mais diversos espalhados pelas redes sociais. Mostrando parte da vulnerabilidade de Greta – muitas delas naturais de seus quadros clínicos, I am Greta ainda consegue nos dar uma visão mais sensível e intimista sobre quem é essa intrigante adolescente, que abriu mão de uma juventude comum, por enxergar o mundo por uma ótica raramente vista pelo restante de nós.

Bem dirigido e com um ritmo que explora bem o seu tempo de tela, o longa de Grossman nos revela um pouco das pressões que diariamente recaem sobre a ativista. Como uma garota anti social que – dado ao seu próprio ativismo – se vê forçada a constantemente representar multidões, ela é mostrada ainda por sua fragilidade, tão escondida nessa casca grossa que bate de frente com chefes de Estado em grandes conferências mundiais. Aqui, entendemos o peso que uma atitude tão natural sua – e tão extraordinária para o restante do mundo, tem sobre sua mente e sua rotina. I am Greta é o relato mais próximo que talvez tenhamos sobre essa inspiradora, mas também polêmica figura que faz parte sim da nossa cultura POP.



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