Discernir fatos e mentiras se tornou um desafio ainda maior com a ascensão das mídias sociais – principalmente o Instagram e TikTok. Com essas novas plataformas se tornando grandes antros de publicidade e autopromoção, a busca por validação alheia e perfeição se tornou a meta de muitos egocêntricos e gatilho para os mais inseguros. E alicerçada sobre a insanidade que a era digital se transformou, Quinn Shephard faz um brilhante e satírico estudo de caso com sua nova comédia dramática, Influencer de Mentira. Com uma trama fictícia totalmente calcada em diversas histórias reais, a original Star+ estende o debate a respeito de como nos relacionamos com o universo virtual e o que isso diz sobre nós mesmos.


Danni é uma irritante jovem pouco querida pelos colegas de trabalho, que almeja uma vida como jornalista. Cansada de ser ignorada pelos que a cercam, ela decide forjar uma viagem para Paris, compartilhando sua “aventura” com fotos bem editadas no Photoshop. O que ela não esperava era que um enorme atentado terrorista na capital parisiense a colocaria no centro de uma grande confusão, tornando-a uma influencer-ativista de direitos civis – literalmente da noite para o dia. Influencer de Mentira se apropria de um humor ácido para confrontar a audiência e promover uma auto reflexão sobre autenticidade na era das redes sociais. Perspicaz em suas sacadas cômicas, o longa sempre deixa um sabor agridoce nos nossos lábios a cada cena.

Com uma montagem dinâmica que transforma o filme em uma imersiva experiência virtual, Influencer de Mentira faz os inúmeros casos fakes que vimos pela internet escalonarem em proporções quase bíblicas, a fim de chocar a audiência de forma necessariamente alarmista. Em uma constante analogia com o que vivemos diariamente enquanto zapeamos pelo Instagram e TikTok, a dramédia tem ares documentais, mas sem perder a acidez do seu humor. Se livrando da clássica jornada do herói – que tantas vezes vemos em filmes desse porte -, Shephard escolhe o caminho mais difícil e demonstra com habilidade as reais consequências de uma vida online fake.


E Zoey Deutch recebe a grande missão de passar esse impactante recado adiante e o faz de forma excepcional. Com uma atuação poderosa que vidra nossos olhos em seus movimentos, ela brilha em cada cena e uma vez mais mostra sua versatilidade para fazer qualquer tipo de papel. Dylan O’Brien não fica atrás e faz uma espécie de caricatura de Pete Davidson, com os cabelos platinados e uma atitude desprezível – bem diferente das feições de bom moço que normalmente ele tem. A dupla transforma a sátira de Shephard em uma tragédia grega maravilhosa, à medida em que a cineasta nos choca e nos impressiona com um final preciso e cirúrgico – que não alivia a culpa que muitos carregam pelas mentiras que contam na internet.

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