sábado, fevereiro 7, 2026
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Crítica | Instinto Materno – Anne Hathaway e Jessica Chastain INTENSAS em Bom Suspense Psicológico





Dizem que a maternidade ou a paternidade mudam a pessoa. Que quando nasce um filho, nasce também um pai ou uma mãe. E que essas mudanças trazem outras, com relação ao estilo de vida, à rotina, às escolhas que passam ser feitas e as prioridades. Montar uma família tem a ver com essas escolhas, voluntárias ou não, que vão sendo feitas até os filhos finalmente andarem com as próprias pernas – no sentido literal e no figurado. Mas, até lá, muitas coisas acontecem, e nem todas elas são boas. Como o que acontece com os personagens de ‘Instinto Materno’ (Mother’s Instintc), novo suspense psicológico que chega aos cinemas brasileiros a partir do feriado no dia 28.

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Alice (Jessica Chastain) e Céline (Anne Hathaway) são superamigas, e são vizinhas. Além de afinidade e afeto, em comum as duas têm o fato de serem casadas e terem cada uma, um filho – Theo (Eamon Patrick O’Connell) e Max (Baylen D. Bielitz) –, que frequentam a mesma escola e também são superamigos. Tudo vai bem na bolha perfeita em que as duas vivem, arrumando a casa, aguardando o marido e levando as crianças para escola. Até o dia em que um acidente terrível acontece e marca a vida dessas duas famílias para sempre. A partir de então, as duas mulheres passarão a conviver com a perda, com a culpa e com muitas dúvidas que passam a surgir sobre tudo que aconteceu.

Baseado no livro homônimo de Barbara Abel, a versão estadunidense do longa (a história já havia ganhado adaptação anteriormente, na Bélgica, com o mesmo nome) sustenta bem a trama balançando hora no suspense, hora no drama, especialmente por se tratar de uma história passada nos anos 1950, que limita certas atitudes dos personagens e, consequentemente, da produção.

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Por se passar nesse período, há um destaque especial para o figurino, especialmente das atrizes protagonistas, que desfilam um guarda-roupa inteiro de opções – que vão desde vestidos rodados e esvoaçantes, mais coloridos, no início da trama, quando tudo é solar; para opções de calça comprida e sem salto alto, monocromática, já no terceiro arco quando a vida de todos perdem as cores. Apesar disso, é inevitável reparar no vestido aberto de Céline (Hathaway) logo na primeira cena.

Escrito pela própria autora e por Sarah Conradt, o roteiro segue a cartilha do suspense psicológico de protagonismo feminino permeando os elementos impeditivos comuns à época, o que acaba tornando o enredo quase previsível. Conjuntamente com as atuações de Anne Hathaway e Jessica Chastain, as personagens se mantêm no indefinido, ora indo para uma interpretação, ora para outra, até o fim. Para sustentar esses sentimentos, a ambiguidade de ambas mantém o espectador de fora da trama, acompanhando. Entre o suspense e o drama, ficamos a maior parte do tempo no segundo gênero, com o primeiro apenas conduzindo os fatos.

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Benoît Delhomme entrega uma boa direção com seu ‘Instinto Materno’, aproveitando bem a luz para imprimir sensações nos cenários caseiros (onde a maior parte da trama se desenrola), principalmente na primeira parte da trama. Mesclando duas atrizes vencedoras do Oscar anteriormente com um elenco jovem, o resultado se equilibra na neutralidade, que vai se desenrolando passo a passo num ritmo espaçado.

Instinto Materno’ é um bom suspense psicológico, que não exige demais do espectador e pode até mesmo surpreender. Ao que tudo indica, é possível, inclusive, que essa trama ganhe continuação.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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