É isso mesmo que você leu: ‘Isi e Ossi’ é uma comédia romântica alemã e tem um vovô rapper. Mais que isso: tem uma mocinha rica e mimada, um mocinho com a sutileza de uma porta, uma melhor amiga sem noção que posta tudo na internet, um melhor amigo que dá em cima da mãe do mocinho e – pasmem! – um vovô ex-detento meio  biruta que canta rap e não consegue aceitar as mudanças sociais da Alemanha nas últimas décadas. Estes são os personagens do filme.

Na trama, Isabelle, ou Isi (Lisa Vicari), é uma menina rica porém não muito inteligente, a quem os pais sempre deram uma ajudinha na escola para ela conseguir as notas necessárias para passar no vestibular (através de advogados que ameaçavam a escola), até o dia que Isi descobre que toda a sua vida tinha sido manipulada por seus pais e o dinheiro da família, e, revoltada – e de olho num curso de culinária que queria fazer, em Nova York –, Isi decide largar seu padrão de vida no castelo de Neckar, em Heidelberg, e ir para a zona pobre, Manmheim, arranjar um emprego numa lanchonete de quinta categoria e, de quebra, arranjar um namorado de mentirinha bem chucro, Ossi (Dennis Mojen) – tudo para afrontar os pais e fazê-los lhe dar sua autonomia financeira.


Dá para traçar um paralelo desse ‘Isi e Ossi’ com diversas adaptações mais conhecidas do público, como ‘A Princesa e o Plebeu’, ‘Titanic’ e ‘A Dama e o Vagabundo’, nos quais temos um núcleo de contraste entre a pobre menina rica e o pobre menino pobre. Porém, ‘Isi e Ossi’, primeiramente, é um filme alemão, e, por ser comédia romântica, é preciso destacar que o humor alemão é bastante sarcástico – ao ponto de algumas traduções chocar a gente e a gente acabar rindo. Mas o destaque mesmo vai para o vovô rapper, extremamente sem-noção e preconceituoso, que fica soltando impropérios a torto e a direito – o que acaba arrancando risadas nervosas do público.

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O fato de essa ser uma versão alemã moderninha do conto da princesa e o plebeu traz o diferencial de mostrar uma realidade desconhecida para muitos brasileiros: o abismo enorme que existe na economia alemã desde a divisão da Alemanha entre ocidente e oriente, que se aprofundou ainda mais com o passar do tempo, de modo que ao mesmo tempo que temos cidades extremamente prósperas e turísticas, como Berlim e Frankfurt, temos também cidades onde as pessoas são realmente pobres, onde não há emprego e a taxa de escolaridade é bem baixa, como Manmheim.

Em suma, ‘Isi e Ossi’ é desses filmes bem esquisitos, que diverte pela imprevisibilidade, apesar da direção (e principalmente da edição) de Oliver Kienle ser bem esquisita. Mas enfim, é um desses exemplos que um personagem – o vovô rapper – faz valer a pena o tempo e que a gente também meio que tem abrir mão de ficar analisando a parte técnica e buscando explicações: só pega a pipoca e se diverte, porque é tudo muito sem noção.

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