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Crítica | Jogo Assassino – Henry Cavill é uma espécie de ‘Batman’ em suspense entediante


Com tanta plataforma de streaming disponível no mercado, alguns filmes estão estreando meio que na surdina, e a gente tem que ficar de olho para não deixar passar coisa boa. É o que quase aconteceu com ‘Jogo Assassino’, filme de 2018 estrelado por Henry Cavill cuja disponibilidade para o aluguel on-line se tornou possível a partir dessa semana no NOW.

Cooper (Ben Kingsley) e sua filha Lara (Eliana Jones) jogam um jogo perigoso de caça a pedófilos numa cidade do Minnesota. Um dia, a coisa toda dá errado e Lara acaba sendo resgatada por Marshall (Henry Cavill), que acaba prendendo Simon (Brendan Fletcher). Só que há algo bem sombrio sobre Simon, por isso a psicóloga e policial Rachel (Alexandra Daddario) vai tentar arrancar informações do suspeito – tudo sob a gerência do delegado Harper (Stanley Tucci).



Escrito e dirigido por David Raymond, ‘Jogo Assassino’ tem um elenco de peso, e um resultado mais pesado ainda. O longa começa com a interessante caça aos pedófilos, mas logo a trama se desvia para o insosso mistério de Simon e se limita a isso, sem, ao mesmo tempo, oferecer grandes reflexões sobre a complexidade dos personagens, relegando ao espectador um gostinho de ter tido sua atenção desviada sem necessidade.

Cooper é um protagonista brucutu antipático sem nenhuma justificativa, mas com aquela pose de machão salvador da pátria que resolve tudo. Essa característica é reforçada, por exemplo, pelo fato de Cooper ser apenas um policial, mas, apesar de ter Harper como chefe, é Cooper quem dá as ordens na delegacia toda. Ele entra em cena como quem se posiciona como macho alfa, e trata todo mundo como se fossem intelectualmente inferior.

E nada ajuda muito a atuação inexpressiva e travada à la Batman de Henry Cavill, que é boicotado pelo roteiro e parece não estar à vontade em momento algum da produção.

É triste ver um elenco com rostos tão conhecidos por trabalhos mais impactantes reunido em um filme chocho que não acrescenta em nada, não desafia as carreiras deles e não entretém o espectador. Em ‘Jogo Assassino’, nem o rostinho bonito de Henry Cavill salva.

Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.
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